Sabado, 14 de DEZEMBRO de 2019

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

de malas prontas

Voei, e agora?

Publicada em 14/03/2019 às 00h12| Atualizada em 29/03/2019 às 19h17

Coração acelerado. Mãos trêmulas. Suor e alívio. A sensação de quem nunca havia sobrevoado à terra é única. Caso ainda não tenha voado de avião, saiba que uma gama de sonhos e desejos afloram quando você avista o horizonte, sob as famosas nuvens de algodão. Fronteiras se quebram. Enquanto o longe fica perto, o que parecia impossível se torna possível. E, assim, ultrapassando barreiras econômicas e sociais, resgatando meus desejos de criança, a minha primeira viagem de avião, por coincidência, também iniciara o meu percurso na mobilidade acadêmica, conquistada por meio do Programa de Bolsas de Estudos Ibero-Americanas Santander. Em Portugal, a Universidade do Porto fora meu destino, mas antes tirei os pés do chão e voei rumo à experiência acadêmica internacional.
 


Painel de pousos e decolagens do Aeroporto Internacional de Campinas/SP. (Arquivo Pessoal: Luciano Del Sent)

Exato, criaturas! Para saber o que era voar de avião, poderia ter feito aquele bate-e-volta do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, à Estação Aeroportuária de Santa Maria — o que seria um orgulho, visto as belezas da cidade universitária gaúcha — mas aconteceu de voar pela primeira vez numa série de conexões à Europa: Porto Alegre — Campinas, Campinas — Lisboa, Lisboa — Porto. Tudo era novidade. Absolutamente tudo.

Desde o início do embarque, em Porto Alegre, no qual, pasmem, cheguei ao aeroporto com duas horas de antecedência devido ao medo de perder o voo, estava apreensivo. Porém, o maior sentimento era o de liberdade, pois começaria uma jornada de estudos especial. Imagina! Estudar Ciências da Comunicação numa das mais respeitadas universidades lusas: a Universidade do Porto.


Com tempo nublado e ventos de intensidade moderada, a viagem de Porto Alegre a Campinas durou cerca de uma hora e meia. (Arquivo Pessoal: Luciano Del Sent)
 

Despachadas as malas, repletas de roupas de frio — visto que, embora estivesse partindo de Porto Alegre, popularmente conhecida como “Forno Alegre” devido ao calor escaldante do verão — despedi-me da família com um breve: “até logo!”. Embarquei no avião às 11h rumo à Campinas, na janela, porque, obviamente, não perderia a oportunidade de admirar a paisagem, assim como faço nos ônibus porto-alegrenses. Nesse momento, pude observar aquelas asas e pensar: “agora não tem mais volta”. Avião alinhado na pista. Motor na potência máxima. Flaps ajustados para a decolagem. Subiu. Partiu.

Durante a experiência inédita, analisei o comportamento dos passageiros para compreender o que poderia acontecer na próxima uma hora de vôo.


Beliscar alguns salgadinhos e bolachas me fazia esquecer que não podia mais tocar os pés em terra firme. (Arquivo Pessoal: Luciano Del Sent)

Já ouviu falar em turbulências? Correntes de ar que atingem o avião, fazendo-o tremer, tanto quanto o ônibus que pegamos para ir trabalhar ou estudar. Sim! O avião tremeu. Tremeu tanto que me arrependi de ter comido os aperitivos. Os comissários pediam para todos colocarem os cintos, pois, devido ao temporal que estava acontecendo em Campinas, nosso piloto precisara ser hábil para conseguir pousar o avião com segurança.
 


Nesse momento, após o pouso turbulento no Estado de São Paulo, às 12h30, considerei-me iniciado. Voei. Pousei. Ufa! Nada mais poderia ser novidade. Será?

No extenso Aeroporto Internacional de Campinas, eu e a minha singela mala de mão passamos sete horas no aguardo da conexão rumo à Lisboa, em Portugal. Sentei-me perto de uma daquelas esteiras rolantes para ver como os passageiros mais apressados eram impulsionados pela engenhoca.

Como se estivessem turbinados, volta e meia passageiros tropeçavam, perdiam as malas junto as crianças que, enlouquecidas com o corredor móvel, andavam no sentido contrário da esteira. Via-se de tudo um pouco. Por mais simples que seja, consegui me entreter por algumas horas, antes de fazer um lanche leve — mentira, comi um hambúrguer reforçado, daqueles macanudos. Hoje, mais experiente, alimentaria-me com algo bem leve, pois em dez horas de voo, sentado no escasso espaço entre as poltronas, a pressão do ar pode — e deve — gerar algum incômodo estomacal. Fica a dica, criatura!

Confesso que, passar pelo setor de policiamento aeroportuário — local onde você é revistado por meio de um raio-x e os policiais federais conferem a sua documentação — fora uma das sensações mais estranhas que me recordo. Embora entenda a necessidade da fiscalização a fim de manter a segurança do voo, senti-me desconfortável.

Retirar os poucos objetos metálicos que carregava comigo mais parecia um filme de comédia trash. Era a doleira em que guardava documentos e dinheiro caindo no chão, fone de ouvido enrolado no pescoço, cinto da calça para um lado e celular para outro. Duvido que um filme do Mister Bean tenha divertido os operadores das câmeras de vigilância daquele setor, como minha demonstração de ansiedade e insegurança perante a lei e as regras. Naquele momento, eu me prenderia.

Na área de embarque internacional do Aeroporto de Campinas, percebi que o público era diferente, pois já identificava algumas culturas diversas nos olhares dos passageiros, que estavam tão curiosos quanto eu. De certo, não era o único novato numa viagem internacional.
 


Já dentro do avião, conseguem adivinhar qual era o sentimento? Quem se arrisca a dizer? Quem? Exato. Tensão! Enquanto a maioria dos passageiros parecia estar calmo, acostumados com decolagens e viagens de longa duração, havia um ansioso para decolar logo. Eu.


O pôr-do-sol nordestino fora minha despedida oficial antes do intercâmbio em terras lusitanas. (Arquivo Pessoal: Luciano Del Sent)

Passara a tarde esperando aquele momento. Pensando bem, talvez tenha esperado por aquele momento muito mais do que uma única tarde. Era meu sonho de criança poder voar, conhecer o exterior, estudar e viver novas culturas. Pois bem, admirando essa paisagem, sobrevoando algum lugar próximo de Recife, despedi-me do Brasil, rumo ao intercâmbio acadêmico que considero uma vida em seis meses, devido a intensidade das experiências vividas. No dia 26 de janeiro de 2017, voei, e agora?



Últimas De malas prontas

Tainá Rios

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9306 0162
redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari

Direção Geral e administrativo
51 9 9962 3023
vinicius@diariodeviamao.com.br

Vitor Zwozdiak

Departamento Comercial
comercial@diariodeviamao.com.br

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS