Segunda, 17 de JUNHO de 2019

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2020 

[atualizada] Guto divorciado com o PSOL e flertando com PDT

Publicada em 20/05/2019 às 15h26| Atualizada em 27/05/2019 às 14h30

No âmbito político fidelidade partidária não é lá uma qualidade muito em alta e aqui em Viamão temos casos bastante conhecidos de políticos que já trocaram de partido várias e várias vezes. Isso é errado? Eu não disse que era. Neste cenário, não existe político viamonense com mais “cara do partido” do que Guto Lopes, do PSOL. Acontece que rolava solta na Rádio Corredor (fonte principal de fofocas e muitas vezes fake news no mundo da política) que Guto estava deixando o partido para concorrer a prefeito pelo PDT, de Juliana Brizola e seu colega de câmara Rodrigo Pox. 

Essa geração de novos vereadores (jovens de idade e novatos no mandato) precisa ser analisada, também, pelo o que postam e como se portam nas redes sociais, afinal são elas as responsáveis por eleger até presidente da república neste Brasil zapzapiano. E foi no Instagram de Guto que descobrimos o primeiro indício de que ele iria deixar o PSOL: o partido saiu de seu nome de usuário. O antes @GutoPSOL agora é @GutoLopesRS na rede social de fotos e vídeos, e a simples decisão de trocar o username, tem um peso político enorme, se pensarmos que a maior parte dos políticos da legenda incluem o nome do partido em suas redes sociais. A deputada federal Fernanda Melchionna, por exemplo, se chama @FernandaPSOL no Twitter. Guto nunca escondeu seu partido, e é um dos grandes nomes da legenda no Rio Grande do Sul, sendo um dos seus fundadores, inclusive. Tirar o PSOL de seu nome, portanto, não é um ato qualquer. 

 

Material gráfico de Guto, usado nas eleições de 2018 e o username dele agora, em maio de 2019

A saída de Guto, levantada em primeira mão pelo Diário de Viamão na manhã de segunda-feira, foi confirmada pelo próprio vereador e o PSOL durante a tarde em notas distribuidas através das redes sociais. 

Também no Instagram do vereador, qualquer bom observador, notou que cada vez mais se vê publicações com personalidades do PDT. De 29 de abril para cá, pegando apenas os últimos 15 dias, tivemos uma postagem sobre o aniversário de Tapir Rocha - ex-prefeito e ex-deputado estadual viamonense - uma foto acompanhado de Rodrigo Pox no aniversário do ex-prefeito de Canoas Jairo Jorge e um vídeo de Leonel Brizola, repostado do perfil de Juliana Brizola, em um discurso em que Brizolão diz, entre outras coisas, que não se pode confiar em políticos. Questionamos o vereador se a presença constante do partido em seu instagram queria dizer mais do que uma admiração política por essas personalidades. 

- Sempre, nas minhas redes tiveram lembraças sobre o Tapir. Sou publicamente um admirador do Tapir como prefeito e como político. Assim como nutro uma admiração pelo ex-prefeito Childen, por quem mantenho uma ótima relação. Jairo Jorge é uma oportunidade que estou tendo. Já tivemos alguns encontros e tem sido uma “pós-graduação” em Gestão Pública, já que JJ é reconhecido um prefeito que fez um governo de excelência. Foram até hoje 5 encontros muito produtivos e de muito aprendizado!- desconversou Guto.

A decisão de abrir mão do partido que o lançou para poder realizar as alianças necessárias na disputa do ano que vem, por mais surpreendente que seja, se me permitem a análise é a cereja do bolo que coroa um processo de amadurecimento político pelo qual Guto passa desde que assumiu o mandato. Quem o via nas galerias da Câmara na legislatura passada discutindo com os vereadores que discursavam no púlpito apostaria em um mandato muito mais gritão do que ele vem fazendo. Se nunca chegou a ser uma pedra no sapato da base governista, fez de tudo para no mínimo incomodar como uma unha grande demais que não pode ser cortada. 

Trocar o PSOL por qualquer outro partido mais ao centro mostra que Guto está antenado a tendência do eleitorado pender mais ao centro ou a direita do que da esquerda Psolista, que embora tenha uma grande representatividade com seu mandato, dificilmente irá ganhar uma eleição municipal. Ficar no PSOL esperando ganhar a prefeitura em um município como Viamão é como aquela criança que cresce sonhando em ser astronauta no Brasil: pode ser um sonho bonito, mas não vai acontecer. 

 

Mas e 2020?

A saída do vereador do partido pode ser um dos grandes pontos de virada das eleições de 2020, que já havia mudado de rumo quando André Pacheco rompeu com o PSDB de Valdir Bonatto.  

Nas próximas eleições a tendência é muito clara: uma briga entre PSDB com Valdir Bonatto ou seu cavalheiro escolhido versus André Pacheco ou seu cavalheiro escolhido. Qual lado os partidos que hoje integram a base vão ficar ainda é uma incógnita, mas o certo é que se a divisão de votos for muito parelha pode-se abrir espaço para uma terceira via: e é aí que entra Guto com seu, possível PDT. 

Mas para isso dar certo, óbvio, a esquerda precisa fazer em 2020 exatamente o mesmo que a direita fez em 2012: se unir. PDT, PSOL e PT não vencerão as eleições sem um dos três. 

 

Um por todos e todos por um?

Completo em 2019, nove anos desde que entrei na Câmara pela primeira vez, para estagiar, ainda no ensino médio. Já vi desde então três legislaturas diferentes, uma com 14 outras duas com 21 vereadores. Em nenhuma destas composições, entretanto, vimos um grupo de vereadores tão unidos quanto Athos, Porthos e Aramis… digo, Adão, Guto e Pox.

É claro que sempre houveram os grupos da base governista e da oposição. O Partido dos Trabalhadores mesmo, nos últimos 12 anos experimentou o gosto das duas posições: viu seu número de vereadores minguar de quase metade da Câmara para dois vereadores nesta legislatura.

Mas nenhuma composição de bancada, nem entre próprios correligionários de partidos, atrevo-me a dizer, é tão unida quanto Adão, Guto e Pox. Se os Três Mosqueteiros da história de Alexandre Dumas, trabalhavam arduamente para proteger o Rei, a versão viamonense do trio espadachim faz justamente ao contrário: o ataca. E foi assim: trabalhando em conjunto e falando a mesma língua que eles vem conquistando espaço nas sessões. Se não representam uma ala forte o suficiente para derrubar os projetos do prefeito, fazem questão de falar, pelo menos um deles, quando não os três, sobre os pontos que discordam dos documentos. 

Seja nas postagens das redes sociais ou nos discursos na Câmara, o que os torna fortes é a união e se há alguma possibilidade da esquerda voltar a governar a cidade, ela será com um frentão entre PT, PDT, PSOL e sabe-se lá quem mais pode pular pro lado da Centro-Esquerda até o final do Governo André Pacheco.

Para isso, é claro, PT precisa abrir mão de ser cabeça de chapa, se vestir da humildade que não teve na eleição do ano passado, para entender que se fosse uma empresa, suas ações estariam em baixa. PSOL teria que se propor a não concorrer em 2020 para apoiar um ex-correligionário sem ao menos indicar um vice, já que essa deve ser a exigência mínima do PT para embarcar na chapa. 

Se repetir o resultado de 2016, mesmo que se una a esquerda vai precisar disputar os votos dos eleitores de André Pacheco, que vão se dividir entre os dois candidatos direitistas no próximo pleito. Somados, os votos de PT, PSOL, PDT e REDE chegam a 33.902 contra 56.739 da chapa então liderada por André Pacheco. É claro que a matemática eleitoral não é tão simples: quatro anos fazem toda diferença em uma eleição. Além disto, análise de cenário político é como medir a temperatura de uma criança febril: a cada instante os números mudam.

Até ano que vem muita água pode rolar pelo rio da política viamonense e nós vamos acompanhando de pertinho: logo trazemos mais informações.

 

ATUALIZAÇÃO 

O PSOL acaba de publicar uma noaem seu Facebook, informando que Guto Lopes está deixando a legenda oficialmente. Pelo tom da nota, é improvável que o PSOL apoie Guto em uma futura eleição. Confira: 

Nota do PSOL Viamão

Comunicamos ao povo viamonense, em especial aos nossos filiados, que o vereador Carlos Guto Lopes, eleito por nossa legenda em 2016, comunicou seu desligamento da legenda. Nosso projeto de construção coletiva de uma alternativa para a cidade não se encaixa mais no projeto do vereador e o pedido foi aceito.

Agradecemos o seu tempo de militância, lamentamos que tenha se dobrado ao caminho fácil do interesse eleitoral, o qual jogou pelo ralo muitas reputações em nosso país.

Seguimos na luta!

PSOL VIAMÃO

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