Sabado, 24 de AGOSTO de 2019

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coluna do prof. bruno

Skate: esporte olímpico

Publicada em 26/07/2019 às 11h54| Atualizada em 29/07/2019 às 14h56

por Gustavo de Assis Guedes 

Muitas vezes participei de conversas onde o assunto era o que poderia ser considerado esporte ou não, e como era de se esperar, os mais conservadores defendiam que atividades menos tradicionais não são. O skate, representando uma contracultura, não costuma ser chamado de esporte nem mesmo pelos praticantes, consequentemente skatistas não detêm o status de atleta. Contudo, quem acha isso está errado, não importando o que alguém pensa sobre o que é ou deixa de ser esporte. Não importa nem o que eu penso, porque não há margem para o conceito individual, mas apenas o definido pelo dicionário.

Para quem não sabe, esporte é a prática regular de uma atividade que requer exercício corporal, para lazer, para desenvolvimento físico ou para demonstrar agilidade, destreza ou força, que se faz por entretenimento ou, obedecendo a determinadas regras, para competição. Atleta segue essa mesma linha de raciocínio, pois é sinônimo de esportista, definido como “praticante de esporte”. Ou seja, skate é esporte e skatista é atleta. Apenas para corroborar com tudo isso,skateboarding estreará como modalidade olímpica em Tóquio no ano que vem, fazendo com que muitos skatistas reclamem dos caminhos que a indústria está seguindo. Aparentemente a inclusão nos jogos olímpicos do Japão, a expoente popularidade atual, o ingresso de grandes marcas esportivas no mercado e a aparição em meios de comunicação tradicionais são interpretados como se houvesse uma perda das verdadeiras raízes do skate. Como se estivesse renegando sua origem “das ruas”.

Os mais românticos usam a mesma frase que eu já cansei de ouvir dos nostálgicos amantes de outros esportes – como Fórmula 1 ou futebol – dizendo que “antigamente era bom”. Como podem pensar isso? Quanto mais popular, maior o número de praticantes, aumentando as chances das iniciativas público e privadas despertarem interesse na construção de melhores e maiores pistas. As marcas poderão investir mais nesse “negócio”, os eventos serão melhores e os atletas patrocinados mais bem pagos. Além disso, como skate sempre foi uma ferramenta de inclusão social, sua popularidade facilitará a realização de projetos que visam integrar crianças carentes na sociedade com base nos aprendizados que a prática de um esporte proporciona. E mesmo aqueles que não se importam com nada disso poderão andar de skate pelas ruas, agindo como “skatistas de verdade”, sem sofrer tanto preconceito.

Ou seja, apesar da maior divulgação e constante crescimento, cada um pode e sempre poderá andar de skate da forma que achar melhor, e isso diz muito sobre a realidade do nosso esporte, onde não há a necessidade da busca pela vitória, porque ela não é essencial para quem anda ou simplesmente aprecia. Skate pode ser praticado apenas pelo exercício físico, pela vontade de aprender manobras novas na constante busca por evolução, ou pela simples sensação do vento no rosto. Tudo isso faz de você skatista. Não precisa gostar do que a maioria gosta ou se interessar pelo futuro do mercado. Apenas ande e divirta-se. A grande vantagem de termos escolhido essa modalidade é que não precisamos de adversário, porque a verdadeira competição é consigo. Por ser um esporte individual, onde a disputa reside na busca pela evolução, podemos usar o skate apenas como uma forma de nos expressarmos. Não há nenhuma exigência para que sejamos os melhores em um confronto de equipes ou mano a mano. Podemos simplesmente andar e desenvolver nosso estilo único.

Há skatistas muito influentes e inspiradores que não podem ser considerados vencedores em termos de campeonatos, mas sua dedicação e a forma como exploraram sua individualidade em cima do skate os permitiu ter patrocínios por causa dos seus estilos muito característicos e de fácil apreciação. Gostando ou não das olimpíadas, concordando ou não com os caminhos do skate na atualidade, cada um sabe o que andar de skate representa para si. No fundo, o que realmente faz o skatista ser de verdade é a forma como ele encara a atividade de subir numa tábua com rodinhas para se divertir e evoluir, pouco importando o que os outros pensam.

Que bom que skate se tornou modalidade olímpica. Que bom que o esporte está crescendo e se tornando cada vez mais popular. Que bom que os atletas estão atingindo um nível cada vez mais impressionante e recebendo a devida valorização pelo seu profissionalismo. Que bom que cada vez mais skatistas podem pegar seus skates para se divertirem com seus amigos no mundo todo, na rua ou na pista, se preocupando cada vez menos com a opinião alheia.

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