Sabado, 24 de AGOSTO de 2019

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

coluna do Bruno

Lição das Árvores

Publicada em 09/08/2019 às 14h21| Atualizada em 11/08/2019 às 22h44

Sempre que vejo alguma árvore de porte avantajado sinto uma paz que demorei para entender de onde vinha. Achava que o desenvolvimento proporcional me agradava os olhos e por isso a sensação de tranquilidade, mas percebi que esse sentimento tem maior complexidade do que somente achar a natureza bela. Pensando sobre isso, tentei entender melhor a ligação entre nossa consciência e a apreciação da existência das belas árvores que encantam e despertam alívio e serenidade quando são observadas.

 

Lembrei de um livro que li na minha infância cujo tema era a jornada de autoconhecimento do protagonista. Em determinado momento de aflição, seu mestre lhe pediu para fazer o “exercício da árvore” – ou outro nome parecido – então o personagem se agacha, encosta o queixo no peito e envolve as pernas com os braços para então, vagarosamente, se levantar e espichar os quatro membros com o rosto voltado para o sol, como se ele mesmo fosse uma árvore. Sentindo-se assim, com toda a plenitude de um ser vivo com centenas, talvez milhares de anos, com raízes tão profundas que podem buscar água e nutrientes onde estiverem e dar sustentação para seus galhos se expandirem, teve sua paz interrompida por um tapa na cara que levou do mestre, despertando-o de seu transe com a seguinte frase:

 

- Não esqueça dos seus objetivos.

 

Interessante isso. Não necessariamente o tabefe, mas sim a lição. Lembrando desse trecho do livro, consegui identificar melhor o motivo pelo qual grandes árvores em sua exuberância me encantam tanto. Primeiro, claro, está no fato de estarmos admirando um ser vivo, com suas proporções que sempre nos remetem ao equilíbrio, porque uma árvore grande e exuberante nunca vai nos deixar com a sensação de que ela está prestes a desabar. Sua estabilidade permite aguentar fortes ventos e sua saúde supera o calor escaldante do verão e resiste ao mais gélido dos invernos.

 

É uma forma de representação da vitória da vida em relação ao tempo e às adversidades, porque este estágio avançado não foi alcançado em poucos anos nem construído somente por bons momentos. Tudo isso pode ser muito profundo e filosófico, mas o ensinamento prático de se admirar as árvores está em constatar que elas nos lembram da importância de nos conhecermos melhor e fazer o que estiver ao nosso alcance. Pensando naqueles ditados “torna-te quem tu és” (Nietzsche) e “conhece-te a ti mesmo” (Sócrates), percebo que uma árvore exerce esses ensinamentos à risca, sem a necessidade de nenhum filósofo dizer o que para ela é obvio. As árvores são o que são, não podem reclamar, só podem viver com o que têm e tentar o melhor sempre, independente da condição em que se encontram.

 

Em certa medida, devemos ser assim também. Existem situações em que somente poderemos trabalhar com o que temos, porque reclamar disso ou daquilo não ajudará em absolutamente nada. Nossos princípios ético e moral devem estar enraizados a ponto de jamais serem abalados e nosso crescimento deve sempre seguir em direção à luz, buscando conhecimento e melhores condições para alcançar nossos objetivos. E quando falamos em objetivo que a lição do mestre faz todo sentido, porque se for preciso devemos receber um tapa para nos darmos conta de não ficar parados. Nossa vantagem em relação às árvores é que podemos nos mexer para buscar o que queremos. Quando o ambiente não estiver bom, podemos mudá-lo ou nos mudar, porque nossas raízes metafóricas não nos prendem a nenhum lugar físico.

 

Depois de perceber e admirar a relação que podemos ter com as árvores e os aprendizados que podemos adquirir da natureza, fica claro que o ensinamento sobre aceitar as condições e trabalhar com o que temos ainda se aplica, mas somente até o momento de decidirmos dar um passo à frente em busca do que queremos.

 

*Gustavo de Assis Guedes é amigo do Bruno, escreve a coluna de hoje.

Últimas Prof. Bruno

Tainá Rios

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9306 0162
redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari

Direção Geral e administrativo
51 9 9962 3023
vinicius@diariodeviamao.com.br

Vitor Zwozdiak

Departamento Comercial
comercial@diariodeviamao.com.br

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS