Domingo, 17 de NOVEMBRO de 2019

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Publicidade

Facebook

coluna do prof. Bruno

O Tempo e a Mala de Dinheiro

Publicada em 30/08/2019 às 09h09| Atualizada em 02/09/2019 às 14h12

por Gustavo de Assis Guedes

Tenho notado que na época em que vivemos há uma supervalorização da espera pelo final de semana, espera pelas férias, pela promoção no trabalho ou aprovação naquele concurso público. Outro tipo de aprovação pela qual se espera é a dos pais, do chefe, do cônjuge. Dedicar a vida à estas “conquistas” demanda muito esforço e um gasto excessivo do nosso tempo, gerando demasiada ansiedade.

E não poderia ser diferente. O tempo é um recurso. Como dinheiro ou combustível. Quando estamos em algum lugar que não queremos ou fazendo algo que não nos desperta qualquer interesse, o incomodo cresce e ansiamos para sair daquela situação. Não achei simples entender esse sentimento angustiante de olhar para o relógio fazendo um esforço mental inútil para o ponteiro andar mais rápido. Muitas vezes confundi brevemente esta sensação com frustração, irritação e até mesmo medo, mas nunca tive aquela convicção sobre estas emoções.

Essa sensação estranha que tinha no estômago quando fazia algo que não queria somente foi melhor compreendida quando usei a analogia da “Mala de Dinheiro no Carro”, que é bem simples:

Partimos do princípio que o tempo é um recurso, como água ou oxigênio. Assim, substitua todo seu tempo por uma maleta de dinheiro. Uma maleta cheia de milhões de Reais. Dessas que os políticos levam no porta-malas. Fácil de assimilar. Agora imagine que você está trabalhando em um escritório, em uma agência bancária ou em um caixa de supermercado, e a sua mala está no banco do carona do seu carro estacionado do lado de fora do prédio onde você trabalha. E as portas estão destrancadas.

O quão desconfortável (para dizer o mínimo) vamos nos sentir olhando pela janela as pessoas passarem ao lado do nosso dinheiro ali, sem proteção, sentado no banco do passageiro para quem quiser abrir a porta e levar embora? Nossa vontade é de sair correndo, abraçar a mala e levá-la para um local seguro, mas a gente não pode. A gente tem que ficar onde está e tem que fazer o que está fazendo, apesar de todo desconforto que sentimos.

O bem-estar está em fazer o que queremos, na hora e o quanto queremos.

Mas essa busca por querer se distanciar do que não nos agrada pode nos confundir. E existem muitas formas de vícios estarem maquiados como conforto. Após horas perdendo tempo, podemos achar que merecemos algo em troca daquele desperdício de um bem tão valioso. Dependendo do nosso grau de autocontrole, isso pode se tornar uma armadilha, principalmente quando a compensação do estresse leva às escolhas ruins. No mundo capitalista, onde somos bombardeados com propagandas criadas por pessoas muito inteligentes e que se esforçaram muito para criar uma campanha que nos desperte o desejo de ter esse ou aquele produto, não são raros os casos de consumismo em exagero, e essa ânsia pode ser refletida de várias formas.

Os prazeres obtidos por esses meios não passam de vícios disfarçados. Todas alternativas são muito mais fáceis de alcançar do que o bem-estar real e esta fórmula somente funciona porque muito comumente preferimos comodismo à qualidade. É muito mais “prazeroso” para um empregado, após um árduo dia de trabalho maçante, se alimentar de hambúrgueres comprados no drive-through do que cozinhar comida saudável. É mais fácil aguentar um chefe chato e chegar em casa e tomar uma cerveja, do que pedir demissão, ficar sem renda alguma bebendo somente água enquanto damos início ao nosso próprio negócio.

Qualquer um desses vícios são formas de fugirmos de nós mesmos. O problema é que o quanto mais as pessoas fogem delas mesmas, mais se prendem às suas realidades.

Supervalorizar a espera ou a aprovação também são formas indiretas e ineficazes de gastar algo tão precioso como nosso tempo e não podemos desperdiçá-lo com inutilidades. O certo é investir este valioso recurso na busca por algo que gostamos. Devemos nos organizar, porque se não o fizermos, seremos organizados pelos outros. Ou seja, se não acharmos nada do que realmente gostamos de fazer, faremos para os outros o que eles também não gostam.

Últimas Prof. Bruno

Tainá Rios

Redação, sugestão de pautas e redes sociais
51 9 9306 0162
redacao@diariodeviamao.com.br

Vinicius Ferrari

Direção Geral e administrativo
51 9 9962 3023
vinicius@diariodeviamao.com.br

Vitor Zwozdiak

Departamento Comercial
comercial@diariodeviamao.com.br

Ao reproduzir uma de nossas matérias, é ético citar a fonte.
As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam a posição do jornal.
Desenvolvido por i3Web.
2016 - Todos os direitos reservados.

Rua Osvaldo Aranha, 43 - Sala 5 - 94410-630 - Centro - Viamão - RS