Domingo, 15 de DEZEMBRO de 2019

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coluna do gustavo

O que realmente importa

Publicada em 02/10/2019 às 12h03| Atualizada em 16/10/2019 às 13h43

Nas duas últimas semanas falei sobre ciência e arte como sendo muito importantes para nós, seres humanos. Depois de ver os textos, uma leitora disse que eu estava falando da pirâmide de Platão e que já sabia o tema das próximas crônicas, pois certamente eu falaria das outras faces da estrutura. Pois não falarei. Até porque não sei nada sobre Platão, muito menos sua pirâmide. Além disso, o tema aqui é milhares de vezes mais importante do que filosofia ou qualquer forma geométrica. Falarei sobre pétit gateau. Cuja pronúncia é petí gatô. Fazendo aquele biquinho que os franceses fazem.

Isso mesmo, aquele bolinho de chocolate que comemos com uma bola de sorvete, numa mistura de quente e gelado. Êxtase do exagero do chocolate com moderação e sobriedade do creme. Uma dupla que se complementa perfeita e maravilhosamente. Tão apreciada que pode ser cobrada a quantia de vinte até trinta reais pela iguaria nas cafeterias. Falarei sobre isso porque, de forma bem simplista, resume um pouco as crônicas anteriores e dá abertura para esta. Como? Explico.

Tanto ciência quanto arte estão presentes no bolinho. Esta por sinal é a tradução de pétit gateau: pequeno bolo. A parte científica está na praticidade que encontrei quando assei seis deles no último domingo. Isso mesmo. Eu assei. E foi a coisa mais fácil do mundo graças à ciência, que permitiu um ser sem qualquer talento culinário como eu, realizar a façanha de preparar com absoluto sucesso esta maravilha. Os avanços científicos me permitiram comprar por míseros três reais um pacote com a mistura quase pronta. Só precisei botar manteiga derretida, um ovo e leite gelado. Bati tudo e direto pro forno. Em quinze minutos estava pronto. O ápice da gastronomia. Uma obra de arte.

E aí entra a arte nessa história. Se você não sabe por que chamo um pétit gateau de obra de arte, sinto muito, mas você não sabe de nada. Ou talvez saiba. E tenha um conceito completamente diferente do meu. Tudo bem. Arte é isso mesmo. Subjetivo. Individual. Cada um tem o seu entendimento. A sua interpretação. Precisava ver minhas avós, meu pai e minha mãe apreciando o prato “refinado”, cada um com suas emoções ao cortar com a colher, sentir o suave aroma e o prazer ao levarem o doce à boca. Pelo menos eu acho que eles estavam sentindo tudo isso. Não estava prestando atenção neles. Estava focado no meu pétit.

Depois de usar este exemplo para unir ciência e arte, posso ingressar no assunto sobre o qual realmente quero falar. Aquele, como eu disse na semana passada, capaz de viajar conosco atravessando tempo, espaço e dimensões. O que realmente importa. Estou falando do amor. Não o amor piegas dos adolescentes apaixonados ou do cinema com um close na mocinha olhando nos olhos do seu salvador. Estou falando de amor de verdade. Do casal cozinhando e lavando a louça junto enquanto planeja o futuro dos filhos. O amor da mãe que não mede esforços para ajudar ou do pai quando lê algo interessante e indica para as crianças, pensando na sua formação como leitores.

Sabe quando amigos se reencontram após longos anos e agem como se a última conversa tivesse ocorrido no final de semana? Esta é a prova de que este sentimento é capaz de viajar no tempo. Amor viaja quilômetros quando tiramos uma foto da família reunida e mandamos para meu irmão que está em outro país dizendo que estamos com saudades. Com relação aos entes queridos que já se foram, o sentimento de amor não diminui. O que sentimos por eles está tão presente quanto antes, se não mais.

A porção de pétit gateau que comi com minha família somente pôde ser desfrutada naquela intensidade por causa do ali compartilhado. Amor une. Eleva. Mescla ciência e arte. Viaja no tempo, espaço e dimensões. Amor preenche. Não pede nada em troca. Como diria Renato Russo “é só o amor que conhece o que é verdade”. Amor é o que realmente importa.

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