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coluna do gustavo

Temos tempo?

Publicada em 19/12/2019 às 16h55| Atualizada em 09/01/2020 às 14h49

Sempre quis ser dono do meu tempo para fazer o que quisesse, e todas as vezes que fazia algo fora da minha lista de prioridades, sentia como se estivesse desperdiçando-o. Considero uma troca muito injusta eu entregar um bem de valor inestimável por algo nunca equivalente. Esta percepção do tempo muito serviu para me livrar de furadas, porque quando percebia que alguém não valorizava minha disponibilidade, eu me afastava, preferindo ficar sozinho para poder buscar outra companhia. Mas minha interpretação de ter ou desperdiçar tempo também já me prejudicou de diversas maneiras, por um único motivo: está equivocada.


O tempo não é meu para ter ou perder. Nem de ninguém, pois não há como determos posse dele. Tempo simplesmente existe. Despreocupado com nosso conceito de propriedade. Nossa única relação com o tempo é a de passageiros, ou de forma mais dramática, de prisioneiros. Conforme descrito por Kurt Vonnegut em Matadouro-cinco, estamos presos ao vagão de um trem que saiu do que chamamos de passado com destino ao que chamamos de futuro, e o pior, não podemos mexer nossa cabeça para olhar para um lado ou para outro, só nos restando olhar reto pela janela e enxergar aquilo que chamamos de presente.


Comecei a pensar então sobre do que eu seria dono. Lembrei primeiro das aquisições pelo suor do meu trabalho, até me dar conta que, igual ao que pensava do tempo, meu conceito sobre propriedade também está equivocado, por ser apenas isso, um conceito. Construído por nós, seres humanos, para regular a vida em sociedade. Apesar do nosso carro ou apartamento estar registrado em nosso nome em algum órgão público criado para isso e guardarmos na gaveta papéis com o número da matrícula ou do chassi, nada disso faz com que sejamos, de verdade, donos de algo. Isso ocorre porque podemos transferir nossos bens materiais para outra pessoa, e se podemos deixar de ser donos de alguma coisa, nunca o fomos de fato.


Mas se não somos proprietários nem mesmo do que trabalhamos para comprar e está registrado em cartório, somos de quê? Existe algo que podemos chamar de nosso? Existe. Somos donos de uma coisa apenas, e mesmo que a gente venda, não vamos deixar de ser. Nosso livre arbítrio. Só temos propriedade sobre nossas ações. Na verdade, mais que isso. Além de eternos proprietários, porque jamais poderíamos perder ou transferir uma ação própria, somos também resultado direto das nossas atitudes.


Muita gente, como eu costumava fazer, entende o tempo como sua propriedade e se desespera quando passa por situações onde julga estar desperdiçando-o. Pessoas com o conceito de que o seu é valioso e por isso devem aproveitá-lo da melhor maneira possível, muitas vezes são motivadas pelo bastante humano desejo de deixar uma marca. Se achando importantes demais a ponto de não terem tempo a perder com atividades que não são dignas de suas grandezas, nutrem a vã expectativa de se eternizar.


Para os grandiosos que entendem o tempo como sua propriedade, deixo que recebam a mensagem dele mesmo nas palavras do irônico poema de Percy Shelley: veja minha obra, ó poderoso, e se desespere. Por mais que você aproveite “seu” tempo, ele exercerá seu trabalho natural de destruir tudo que criou, portanto, devemos valorizar o livre arbítrio e nossas escolhas, pois as ações, ao contrário do tempo, nós possuímos.

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