Sexta-feira, 24 de NOVEMBRO de 2017

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O dia em que parou a matança no Pampa Safari

por Rafael Martinelli | Publicada em 25/08/2017 às 17h29| Atualizada em 31/08/2017 às 15h02

Todo mundo ficou sabendo! Agradecido, divido esse relato com todos os ativistas da causa animal, para que saibam que, da noite em claro ao simples compartilhamento no Facebook, cada um tem sua parte nessa singela vitória momentânea: o que seria uma matança às escondidas virou notícia nacional com a mobilização da rede de protetores e encerra o dia de hoje com a suspensão de qualquer abate no Pampa Safari, o mais tradicional local de visitação – ou exploração – de bichos do Rio Grande do Sul, interditado desde 2013 por uma fauna de irregularidades.

A denúncia chegou terça-feira ao site o qual integro, o Seguinte:, de Gravataí, terra natal do empreendimento pertencente a uma tradicional família gaúcha: 300 cervos seriam abatidos! Supostamente tuberculosos, representariam risco aos outros animais da reserva e também a seres humanos. Acionada a rede de ativistas o caso circulou de Porto Alegre a Brasília, ganhou a mídia estadual e nacional, e revelou-se ao mundo que, até o momento, nenhuma autoridade ambiental apresentou laudo ou ordem judicial determinando – e justificando – o abate.

Responsáveis técnicos pelo Ibama e pela Secretaria de Agricultura do Estado deram entrevistas aos principais jornais do RS e do país, num jogo de empurra sobre a responsabilidade pela matança. Não faltou a velha tática de falar em “demagogia” ao “defender os bichinhos”, tradicional cortina de fumaça, e tática de outras oportunidades, do privilegiado alto escalão desse órgão nacionalmente notório pela negligência de sua casta funcional e pela corrupção – aqui isento o Seguinte: e assumo a inteira responsabilidade pela afirmativa.

Num, pelo menos até agora, achismo, no que diz respeito à possibilidade de contaminação da tuberculose dos animais para os seres humanos, documentos não foram apresentados aos órgãos ambientais ou à sociedade – infecção essa que é contestada pelo CDC (Centers for Disease Control anda Prevention), reconhecido birô de controle sanitário dos rigorosos norte-americanos.

Agradeçamos também a um dos mais reconhecidos ambientalistas gaúchos, Jackson Muller, presidente da Fundação de Meio Ambiente de Gravataí, que ficou sabendo do caso pelo WhatsApp. Buscou informações e o que obteve foi o mesmo que os ativistas: nada oficial. E ele agiu, não marcou reunião. O biólogo, por ofício e como órgão ambiental máximo no território entre Cachoeirinha e Glorinha que engloba a RS-020, Km 11, número 5680, com a autorização do prefeito Marco Alba, determinou a proibição de qualquer abate no Pampa Safari. Para os cervos serem mortos, só se fossem transportados vivos para outro município e, burocracias depois, entanasiados.

Jackson, técnicos da FMMA e o grupamento ambiental da Guarda Municipal de Gravataí foram ao Pampa por volta das 14h, para fazer uma vistoria, e, impedidos pela administração do falimentar empreendimento, cortaram o cadeado e buscaram acesso aos animais. O Ministério Público chegou em seguida, sob o comando da promotora de Defesa Comunitária e Meio Ambiente, Carolina Barth, dando suporte a ação do órgão ambiental na área de 300 hectares onde ‘ninguém sabe, ninguém viu’, quem é o responsável.

A Fundação vai investigar, quer os laudos. O MP também.

– Nada será feito aqui sem nossa autorização – tranqüiliza.

São 30 anos de Pampa sem uma licença de verdade, como se surpreende o próprio veterano ambientalista. E onde, apuramos agora, informalmente, se colocam 400kg de ração por dia, “e mais o pasto”, como suficiente para, fazendo uma correspondência com nós, humanos, alimentar uma cidade do tamanho de Pinhal, por exemplo...

Suspensão da matança à parte (e outras já ocorreram recentemente, como lhamas, por exemplo), os sempre desconfiados ativistas da causa animal seguem em cima e organizam protesto nesta sexta no Ibama, em Porto Alegre, 10h. Já são quase 7 mil pessoas interessadas em participar do evento que, pelo Face, você acessa aqui.

Aos que esperam o assassinato dos 2 mil animais que sobrevivem ali no Pampa Safari para, quem sabe, no futuro, vender ou comprar um lote em um paradisíaco condomínio naquela área nobre, recomendo colocar reticências...

 

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