Sabado, 16 de DEZEMBRO de 2017

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estupro

Existem milhares de discussões sobre estupro, mas enquanto se discutem causas, mais casos se tornam estatística

A culpa nunca é da vítima e isso jamais deve ser questionado

por Alexia de Souza Coelho e Lucas da Silva Garske | Publicada em 29/11/2017 às 10h27| Atualizada em 05/12/2017 às 15h41

O país vive um momento de miséria, crises políticas e econômicas. Os números  crescem e assustam a população a cada dia. Mas um dado tem se tornado sinônimo de medo na vida das pessoas: quando terminar de ler essa matéria, uma mulher ou uma criança deverá ter sido vítima de estupro no País, segundo dados do Ministério da Saúde do ano de 2011. As pesquisam apontam que a cada dez minutos, um caso de estupro acontece no Brasil. Os números analisados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, diz que a porcentagem de 70% dos casos acontece com crianças e adolescentes.

As vítimas muitas vezes nem mesmo tem ciência da dimensão do que realmente pode ser considerado uma violência sexual. A palavra “estupro” está inserida no dicionário de forma simples e objetiva, considerado “Crime que consiste no constrangimento a relações sexuais por meio de violência.” Segundo o artigo 213 da Constituição Brasileira, é considerado crime: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”, ou seja, no momento que a vítima se cinta violada, invadida e sendo obrigada a praticar o ato, se torna sim um crime de estupro.

O medo de denunciar ou expor o agressor é um medo constante na vida de quem já passou por esse trauma, a psicóloga Luciana Winck explica que essa é a etapa mais difícil e nem sempre acontece “Existem muitas mulheres que sofrem esse crime e não denunciam para a polícia. Sejam eles por conta da repressão que possa sofrer na sociedade ou o medo da impunidade.” A doutora completa que essa violação causa danos profundos, que abalam até mesmo a forma que a pessoa vai se enxergar após o fato. O medo de voltar a ter contato com pessoas que possam oferecer risco a ela ou até mesmo o desenvolvimento de uma depressão profunda, crise de pânico e transtornos de ansiedade, são alguns dos muitos traumas que a falta e confiança nas pessoas traz, completa Winck.

Conforme dados publicados pela Secretaria da Segurança Pública, no ano de 2016, no período de janeiro a dezembro foram enquadrados na lei Maria da Penha, 96 casos de estupro, no estado do Rio Grande do Sul.  Ao comparar com o ano de 2017, a última divulgação que tem números de janeiro a setembro, conta com o total de 65 casos. Na capital do Estado foram registrados 172 casos de estupro nesses nove meses analisados, ou seja, mesmo que pequena, houve uma redução nos casos.

Solicitado pelo fórum brasileiro de Segurança Pública, uma Organização Não Governamental (ONG), solicitou uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Folha, com a questão: “A mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”, com o resultado: uma em casa três pessoas acredita que a culpa do estupro é da própria vítima. Os números apontam que 42% dos homens entrevistados concordam com a frase: “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”. Os dados mais surpreendentes foram que 32% das mulheres entrevistadas, também concordaram com essa afirmação.

A psicóloga Luciana afirma que apesar de estarmos no ano de 2017, esse pensamento ainda está muito presente. Existe um conceito machista imposto pela sociedade, que a mulher muitas vezes pede para ser estuprada e isto está errado. O papel do psicólogo é fazer o inverso, que seria apoiar e abrir espaço pra vítima se sentir à vontade, segura e assim voltar a confiar em alguém.

Entramos em contato com a assessoria da delegada da mulher de Viamão, porém não obtivemos resposta, a delegacia não se pronunciou sobre o assunto. No site da Prefeitura de Porto Alegre, encontramos a informação referente a uma casa de apoio a vítimas em situação de violência doméstica ou sexual, que tem o nome de Casa de Apoio Viva Maria, a casa tem endereço sigiloso, para ter acesso a vítima primeiramente tem que ter sido atendida nos serviços de saúde, da Delegacia, nos conselhos tutelares ou em qualquer outro serviço que tenha conhecimento do encaminhamento ao local.

 

Foto: Lucas Garske/Delegacia da mulher de Viamão

 

Passar por uma situação de estupro ou qualquer tipo de violência verbal, física ou sexual, é algo além de vergonhoso e triste, é um trauma gigantesco pra quem passa por essa situação, por conta disso, nenhuma vítima quis falar sobre o assunto, não se sentiu à vontade ou segura para expor algo tão íntimo e difícil de se lidar.  

Onde procurar ajuda:

Ligar 100 – Direitos Humanos – R. dos Andradas, 1643 – Centro, Porto Alegre – RS, 90020-013

Ligar 180 – Disque denúncia Violência Contra Mulher – somente por telefone

Ligar 181 – Polícia Civil – Endereço: Av. João Pessoa, 2050

Ligar (51) 3288-2172 – Delegacia especializada em Atendimento à Mulher (DEAM) – Endereço: João Pessoa,n 2050, bairro Azenha

Ligar 190 – Brigada Militar –Av. Protásio Alves, 8900 – Morro Santana, Porto Alegre – RS, 90160-490

Confira o infográfico:

https://infogram.com/graficos-estupro-1gqnmxkjj5lj2lw

 

Assista ao vídeo:

*Texto produzido pelos estudantes da Faculdade São Francisco de Assis sob orientação da Profª. Msª. Letícia Amaral Carlan

 

 

 

 

 

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