Quinta-feira, 15 de NOVEMBRO de 2018

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tá difícil

Sete mortos na 21ª cidade mais violenta do Brasil

por Vinicius Ferrari | Publicada em 19/06/2018 às 14h59| Atualizada em 25/06/2018 às 16h38

A televisão ligada em um telejornal nacional fala o nome “Viamão” e instantaneamente todo o viamonense já pensa que tipo de crime pode ter ocorrido no município para virar notícia no Brasil inteiro. Não pense o leitor que isso é crise de cachorro vira-latas, que pensa que a grama do vizinho é sempre mais verde. Falo com a experiência de quem  vive em Viamão desde o primeiro ano de vida e que escolheu esta terra para criar o filho, o que não me impede de amar Viamão na mesma proporção que eu a temo.

Tiro e queda, com o perdão do trocadilho infame, na madrugada desta terça-feira sete pessoas foram mortas no bairro Augusta, região da grande Santa Isabel. A chacina, que ganhou o noticiário nacional, deixou três pessoas mortas numa rua, outras três em outra e mais uma numa terceira rua do bairro entre as 23:30 e às 0h. Dos sete, apenas dois não tem passagens na polícia, o que aliado a região em que as mortes aconteceram, levam a Brigada Militar e a Polícia Civil a acreditar que os crimes têm relação com o tráfico de drogas. Emerson Wendt, o chefe da Polícia Civil informou que vai enviar cinco policiais para reforçar o time viamonense e ajudar nas investigações, pelo menos, pelos próximos 15 dias.

Não é que Viamão fosse a cidade mais pacífica do mundo, mas já viveu dias mais tranquilos e a chacina desta madrugada que a anos atrás seria encarado como caso isolado, hoje é visto  como apenas mais um capítulo sangrento da 21º cidade mais violenta do Brasil.  

O Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que Viamão piorou no ranking das cidades com mais de 100 mil habitantes mais violentas do Brasil, em relação ao ano passado. Pulou da 32ª posição para a 21ª na soma das taxas de homicídios e de mortes violentas com causa indeterminada (MVCI), o que somou 77,1 ocorrências para cada 100 mil habitantes. A pesquisa divulgada na semana passada, mostra o que todo o viamonense já sabe: está cada vez mais difícil se esquivar da criminalidade. É difícil encontrar alguém que não tenha sido assaltado, ou que pelo menos tenha um conhecido ou amigo que tenha enfrentado uma arma na cabeça, andando a pé, de carro, com transporte público, de dia ou à noite.  

Sartori mandou Corollas para Viamão, e para o resto do Rio Grande também. Chamou concurso público para a Brigada Militar, construiu o novo quartel do 18º Batalhão com recursos do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) e até brigadianos de bike são vistos fazendo ronda pelas ruas do centro. A Prefeitura articulou o chamado cercamento eletrônico, com câmaras de videomonitoramento em parceira com entidades. Até a Câmara volta e meia destina recurso aqui, outro acolá para a Brigada. Mas parece que tudo isso ainda é pouco para combater a bandidagem. Viamão está se tornando a nova Alvorada, que não saía da boca e das pontas dos dedos dos jornalistas gaúchos que cobriam a editoria de polícia na década passada.

Se antes os viamonenses pegavam no pé dos alvoradenses nos churrascos de domingo, fazendo graça com a triste reputação do município vizinho, agora parece que o jogo virou. A Alvorada das mortes violentas e das histórias que pingavam sangue nos jornais, saiu da 12º posição no ranking que levou em consideração os números de 2015, para a 30º no último levantamento, ficando atrás de Viamão. Os dois municípios são os únicos gaúchos na pesquisa, que traz 309 municípios brasileiros, o que, nem de longe é motivo para comemorar.

Ninguém espera que Viamão possa ser tão pacífica quanto aquelas cidades que aparecem nos programas de TV, onde as pessoas deixam os carros estacionados em frente  ao comércio com a chave na ignição e o celular carregando no banco do passageiro. Onde as crianças vão e voltam das escolas de bicicleta, SO-ZIN-HAS. Onde as pessoas caminham nas ruas as 2 ou 3h da madrugada a pé, para não acordar os vizinhos com o barulho do carro. Essa seria uma Viamão utópica demais. Que pelo menos possamos sair de casa e voltar sem tanto medo de morrer. Que pelo menos a gente seja notícia nos telejornais nacionais por motivos bons. Que assim seja.

 

 

 

Tainá Rios

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