Quinta-feira, 15 de NOVEMBRO de 2018

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Governo Federal de olho na violência em Viamão

por Vinicius Ferrari com assessoria | Publicada em 22/06/2018 às 15h12| Atualizada em 25/06/2018 às 16h43

Depois do que a imprensa chamou de "a maior chacina do século", onde oito pessoas foram mortas em um intervalo de meia hora, e Viamão ser considerada o 21ª município mais violento do Brasil pelo Ipea, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann veio a Porto Alegre participar do ato de repasse de viaturas da União para  Brigada Militar e Corpo de Bombeiros. Na solenidade o ministro garantiu que o Governo Federal está atento a violência na região e que pretende trabalhar junto com a secretaria estadual de segurança pública no problema.

- Hoje, no Brasil, 2% dos municípios concentram metade dos 62 mil homicídios. Alvorada e Viamão fazem parte deste grupo de cidades. Conversei com o secretário e decidimos que, em breve, ele irá a Brasília e nos apresentará propostas para ambas as cidades - disse o ministro ao lado de Cezar Schirmer.

O Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que Viamão piorou no ranking das cidades com mais de 100 mil habitantes mais violentas do Brasil, em relação ao ano passado. Pulou da 32ª posição para a 21ª na soma das taxas de homicídios e de mortes violentas com causa indeterminada (MVCI), o que somou 77,1 ocorrências para cada 100 mil habitantes. A vizinha Alvorada também entra na mira do Governo Federal pois, mesmo tendo caído da 12ª para a 30ª posição, ainda é uma das duas únicas cidades gaúchas no ranking, e os números são preocupantes. 

- Iremos reforçar o pedido de R$ 60 milhões, a serem aplicados em ações de prevenção e investimentos em tecnologia. São ações para Alvorada e Viamão, mas que visam também outros municípios que apresentam um quadro que demanda atenção diferenciada - anuncionou o secretário gaúcho.

 

Construção de novos presídios

 

Se por um lado tanto o ministro Jungmann quanto o secretário Schirmer foram enfáticos ao dizer que os municípios precisam estar abertos a receber unidades prisionais, de outro somos um dos poucos municípios gaúchos que, há mais de um ano, solicitaram ao Governo do Estado a construção de uma casa prisional. 

O local escolhido, entre a Vila Elza e o autódromo não agradou em nada os moradores do Condado de Castella, que tanto bateram panela nas sessões da Câmara que conseguiram azedar os planos do Estado. Mesmo com muitas especulações, ainda não há uma área definida para a casa prisional viamonense.

- No ano passado, devolvemos R$ 600 milhões, de um total de R$ 1,2 bilhão do Fundo Penitenciário Nacional, porque não conseguimos reverter este montante em investimentos. São diversos fatores que interferem, entre eles, a extrema judicialização dos processos licitatórios e a negativa por parte dos prefeitos - lembrou Jungmann.

A construção de presídios regionais de médio porte tem sido defendida pelo governo estadual como a melhor forma de promover a reestruturação do sistema prisional.

- Há um ano e meio, tenho procurado mobilizar prefeitos das mais diversas regiões do Estado. No entanto, poucos foram aqueles que se dispuseram a receber, em seu município, um presídio - lembrou.

O secretário salientou, no entanto, que ações como a construção da nova Cadeia Pública de Porto Alegre e do Presídio de Bento Gonçalves conseguem subverter morosidade burocrática tradicional.

- Teremos presídios construídos em menos de um ano, através de um modelo que permite maior agilidade, através da parceria com a iniciativa privada. Essa já se mostrou uma alternativa válida, cujos resultados poderão ser aferidos ainda em 2018 - finalizou.

 

Tainá Rios

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