Sabado, 21 de JULHO de 2018

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vida rural

Crianças, pesquisadores e trabalhadores rurais se reúnem em Itapuã para falar de Educação do Campo.

Encontro entre UFRGS e comunidade discute demandas de Itapuã

por Maureci Junior | Publicada em 25/06/2018 às 14h53| Atualizada em 28/06/2018 às 11h48

Na sexta-feira (22), pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, foram a Itapuã para conhecer de perto as especificidades e principais demandas da comunidade, e as possibilidades de se buscar soluções sustentáveis para o desenvolvimento dos povos cujo sustento depende da produção local. Um dos assuntos debatidos foi o formato de gestão das colônias de pesca do Estado.

A visita é parte do projeto de pesquisa do curso de Licenciatura em Educação do Campo: Ciências da Natureza, um dos novos cursos criados pela UFRGS em áreas não atendidas, que se propõe a auxiliar as populações do campo, que lutam por uma educação diferenciada de qualidade, que respeite as particularidades da vida no local que habitam.

Além dos pesquisadores, o encontro, que aconteceu na Associação Comunitária dos Moradores da Vila de Itapuã – Ascomovita, também contou com a presença de um grupo de pescadores artesanais da região, produtores rurais, professores e alunos da sexta série da Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Genésio Pires.

Enquanto os trabalhadores rurais e pescadores acomodavam-se em uma ponta, os alunos da sexta série (turmas 61 e 62) preenchiam o espaço do outro lado da sala de reuniões. Orientados pelas professoras Joseane Ferreira e Rita Melo, todos ouviam com atenção os temas debatidos, demonstrando interesse pelos assuntos referentes a sua região. No centro, cartazes com fotos das atividades locais e uma rede de pesca confeccionada artesanalmente ilustravam o espaço.

Responsável pela turma 62, a professora Joseane fez questão de ressaltar a necessidade de conscientização das crianças e adolescentes quanto à importância do coletivismo: “Diferente de outras regiões, Itapuã não tem moradores descendentes de uma única colonização. Somos uma grande miscigenação, logo, temos uma cultura de resolver as coisas ainda de forma individualista. Precisamos ir alertando as crianças para modificar essa realidade junto às novas gerações.”

 

A gestão das colônias de pesca

O desenvolvimento e a história de Itapuã estão diretamente relacionados ao trabalho fluvial, principalmente, à pesca artesanal. Com mais de cem quilômetros de orla situados às margens do Lago Guaíba e Laguna dos Patos, em Viamão, o distrito abriga a Colônia de Pescadores Z4 Ênio de Lacerda, que conta com cerca de uma centena de associados – entre eles, há profissionais sobrevivem exclusivamente da pesca.

Loivo José Welter, pescador artesanal que atua em Tramandaí, e membro do Colegiado do Desenvolvimento Territorial do Litoral Norte, esteve na Ascomovita, nesta tarde, e falou da importância das colônias de pesca, desde quando foram criadas, em meados da década de vinte, quando ainda eram administradas pelos militares para a demarcação das áreas de pesca, até hoje.

De acordo com a Lei nº 11.699, de 13 de junho de 2008 (art. 2º), parágrafo único, “Cabe às Colônias, às Federações Estaduais e à Confederação Nacional dos Pescadores a defesa dos direitos e interesses da categoria, em juízo ou fora dele, dentro de sua jurisdição.” No entanto, na prática, nem sempre é isso que acontece.

Segundo Loivo, um dos problemas que as comunidades pesqueiras têm enfrentado é “a cultura da transformação das colônias de pesca em negócio familiar.” Para o pescador, isso é algo preocupante, que merece um olhar mais atento dos órgãos fiscalizadores. “Alguém assume a administração de uma colônia e, com o tempo, se esquece do interesse coletivo e passa a usar a estrutura como um negócio lucrativo apenas para a sua família.”

 

Educação e desenvolvimento sustentável

 

Uma das alternativas que foram cogitadas, para que as sedes das Colônias possam atender melhor aos interesses dos pescadores, foi a criação de micro agroindústrias. Assim, o espaço estaria preparado para o processamento e comercialização dos pescados, visando aumentar o valor agregado do produto final. Nesse caso, a mão de obra e o lucro seriam preferencialmente das famílias dos próprios pescadores.

Outra preocupação abordada durante o encontro foi o crescimento da pesca industrial em águas internas. Cada vez mais, embarcações grandes, equipadas com sonares potentes e redes de arrasto, vêm sendo utilizadas no interior da Laguna dos Patos e até mesmo no Lago Guaíba, o que acaba sufocando a pesca artesanal e comprometendo a renda dos pescadores de pequeno porte.

Além disso, o professor de Ciências da Natureza e Doutor em Desenvolvimento Rural, Nelton Luís Dresch, aproveitou a presença dos alunos e professores da Escola Genésio Pires para falar sobre o desgaste dos saberes oriundos do trabalho tradicional. Dresch salientou a importância de se promover, junto às escolas, o resgate destas tradições, como, por exemplo, os conhecimentos do ofício da pesca artesanal.

 

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