Quarta-feira, 14 de NOVEMBRO de 2018

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empreendedorismo

O sonho de menino que virou realidade

por Tainá Rios | Publicada em 16/10/2018 às 14h48| Atualizada em 21/10/2018 às 21h40

Você já parou para contar quantas vezes já trocou de smartphone desde 2015? E os aparelhos de televisão? O que você fez com eles? Jogou fora?

No Brasil, 97% dos lixos eletrônicos não são reciclados, pois não recebem o destino adequado. A cada computador quebrado ou atirado na rua, os índices de contaminação do solo aumentam, pois além da tela de vidro existe mercúrio. Quando essa e outras substâncias contagiosas entram em contato com o lençol freático contaminam a água potável e tornando-se um grande risco para sobrevivência. Foi pensando na conscientização coletiva que Joelson Gonçalves Orrigo, 31 anos, criou a JG Recicla, empresa de recicla de eletrônicos localizada no centro de Alvorada.

- Eu, pela consciência ambiental que tenho, não estou aqui só por venda, estou aqui porque gosto. Eu sou um ex-catador de rua que recolhia sucata e hoje tenho uma empresa – conta o empreendedor.

O trabalho chegou cedo à vida de Joelson, aos 14 anos já procurava lixo e sucata para garantir o sustento. Cada vez que entregava um novo lote de sucata ficava admirado com o tamanho dos galpões e se imaginava orientando a entrada de caminhões e a reciclagem de lixo. Cinco anos depois, o menino catador de lixo inaugurava a própria empresa.

- Uma vez eu vi numa reportagem que tinha ouro nos resíduos eletrônicos. O título era ‘ garimpo na sucata’. E certo dia encontrei uma pessoa que me ensinou a trabalhar e eu mirei nesse foco para chegar onde estamos. Hoje, exportamos nossas placas para Bélgica para a extração de ouro, de prata e de platina – explica Joelson.

O sonho de menino virou realidade e ajuda a preservar o planeta.

Muito mais que reciclagem

Pode parecer estranho, mas a reciclagem de eletrônicos é muito mais eficiente que a coleta seletiva de lixo seco e orgânico. Dentro dos processos de separação, alguns materiais são separados entre lucráveis e não lucráveis. O que rende lucro é vendido e o dinheiro utilizado para finalizar a reciclagem dos demais equipamentos.  

- Por exemplo, uma televisão, as pessoas depositam no Ecoponto, mas outras tiram o cobre e deixam apenas o vidro e assim, nós precisamos pagar para destinar – explica Joelson sobre os custos da reciclagem.

Outro fato importante está no armazenamento desses eletrônicos. Todo o material que chega às mãos dos funcionários da JG Recicla ganha um novo destino. Mensalmente, são recicladas 50 toneladas de material eletrônico, entre eles, resíduos lucráveis e não lucráveis. As peças que precisam ser descontaminadas são direcionadas a empresas terceirizadas e logo depois, encaminhadas aos novos destinos, como exemplo, o mercúrio que pode ser reutilizado na confecção de termômetros.

Além do galpão, onde ocorre a desmontagem, a empresa tem mais duas unidades de separação de lixo eletrônico: uma no Presídio Madre Pelletier e outra no Presídio Estadual de Canoas (Pecan). Uma grande parceria com o Governo do Estado do RS.  

- Hoje nós temos 15 pessoas nos dois presídios desmontando. A gente recolhe, manda pro desmanche, coloca nos decks e manda para encaminhar aos presídios – acrescenta.

A JG Recicla tem ponto de coleta em Viamão, em frente à Prefeitura, mas também recebem pedidos particulares. A perspectiva é aumentar o incentivo a coleta e espalhar mais Ecopontos em escolas e praças.

 

A conscientização para reciclagem de eletrônicos

Joelson vai além das técnicas de separação e cuidados com a contaminação do sol, ele acredita na educação e no incentivo a reciclagem correta. Mesmo sabendo do consumo exagerado de roupas, eletrônicos e comida, o ex-catador indica o caminho correto para uma vida mais saudável.

- O caminho é reciclar da forma correta, ter uma preocupação de ter essa reciclagem de uma forma correta. Hoje nós temos programas sociais de mão de obra penadas, reciclamos 70 toneladas por mês e esse serviço é gratuito. Nós vivemos da reciclagem. Então é questão de consciência da população. Como é na Europa, na China e nos EUA. Eles trocam o celular de mês em mês, mas reciclam da forma correta. Não atiram em qualquer lugar – finaliza.

Tainá Rios

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