Sexta-feira, 20 de SETEMBRO de 2019

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Eu sou, porque nós somos!

por Tainá Rios | Publicada em 13/05/2019 às 15h09| Atualizada em 15/05/2019 às 14h11

No dia 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Aurea que dava liberdade aos negros no Brasil. Liderada pela Princesa Isabel, a carta tinha um viés estrategista mais político do que humano. Mas afinal de contas qual a importância dessa data nos dias atuais?

Para os integrantes do Ubuntu Viamão, o dia 13 de maio é para reforçar a importância do movimento negros no Brasil, principalmente em Viamão:

Representatividade importa, sim!

Qual a cor da sua pele? Branca, negra ou amarela? Para o compositor e rapper Criolo, o brasileiro é índio, caboclo e criolo, significando a vasta identificação de raças, etnias e crenças dentro de um único país. Mas os participantes do Ubuntu Viamão, a representatividade com a cor da pele surgiu alguns anos após o nascimento.

- Eu nasci preto e me tornei negro – explica Thiago.

Ele se tornou negro quando percebeu a redução do número de pessoas iguais a ele. Cursou o ensino superior na cidade de Santa Maria e foi aluno com cotas raciais. Ao longo da trajetória teve influência de um professor negro que o incentivou a continuar a estudar, em especial os fatos geográficos da cultura negra no Brasil.

- Sempre prezo nas minhas aulas a igualdade social, a luta contra o racismo e valorização das personalidades negras – relembra.

Quem também foi influenciado por professores foram as alunas de ensino médio Helena de Oliveira Lima e Gabriela Mullet. Estudantes do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) de Viamão, as jovens são as únicas representantes do movimento negro dentro da instituição. O maior exemplo da pequena representativa foram as palestras sobre consciência negra, onde apenas as duas estudantes foram as organizadoras e promotoras do evento.

A movimentação das meninas dentro da escolas técnica chamou muita atenção e oportunizou o convite:

- É uma luta importante e que a gente precisa de visibilidade. A gente precisa desse espaço porque ele já é nosso por direito. Quando eu conheci o grupo, uma das nossas professoras do ensino fundamental já fazia parte – a professora Tinoco – e quando ela soube que a gente estava lá ela ficou muito orgulhosa porque ela viu que eu me preocupo com isso – explica Helena.

Temas como preconceito também debatidos em salas de aula e, em muitas vezes, protagonizados pelas alunas negras:

- A questão na negritude tem muito a ver com a sociedade, no geral, pois ela ainda acredita que o racismo é raro. E vendam os olhos. As pessoas têm medo de chamar os outros de negros e ficam estipulam que são mulatos, que são apelidos pejorativos. E acabam prejudicam muito e dificulta que outras pessoas se unam a essa luta – explica Gabriela.  

Como tudo começou

Foi no dia 8 de outubro de 2018 que iniciaram as primeiras reuniões do grupo negro na cidade de Viamão. Atualmente, são 18 participantes, entre estudantes e professores, e todos com o mesmo princípio: se unir e conhecer mais sobre a cultura negra. Para Lavínia Santos, uma das fundadoras do Ubuntu Viamão, a necessidade da criação do movimento surgiu após vários anos sem encontrar uma definição para a cor da sua pele. Lavínia é filha de pai negro e mãe branca, e por ter ficado com a pele mais clara, sempre foi identificada pela sociedade como uma menina branca.

- Eu comecei a analisar em todo o lugar que eu ia a pouca quantidade de pessoas negras. EU nunca fui atendida por um médico negro, por exemplo. Tive poucos professores negros, mesmo estudando em escola pública – conta Lavínia.

Logo depois das indagações pessoas, Lavínia sugeriu a criação de um movimento negro em Viamão dentro do partido a qual é filiada. Lá conheceu o professor Thiago e, juntos, iniciaram a caminhada em manifestações e reuniões. Os encontros ocorrem conforme a disponibilidade de horários dos integrantes.

- E isso gera um fato de identificação da militância negra: a nossa dificuldade, devido a nossas atividades de trabalho e estudo, e de se locomover a noite, já que dependemos de ônibus e a rua está violenta – ressalta o professor Thiago.

Para o futuro

A participação do Ubuntu Viamão em escolas e eventos da cidade só ocorrem em novembro, justamente no dia 20 de novembro, dia da consciência negra. Mas a discussão e o aprendizado do grupo são diários e constantes. Seja nas páginas das redes sociais, nos grupos de WhatsApp ou nas salas de aulas.

- É desse jeito que a gente permanece de pé dentro do município e ainda sofremos com a escassez de horários para encontros semanais – finaliza Thiago.

Apesar dos contratempos, o Ubuntu Viamão segue na caminhada por mais espaço e reconhecimento. Ainda neste semestre, o grupo irá lançar um novo logotipo, que será divulgado na página do Facebook. O artista é um militante do movimento negro (Abraço negro) Antônio Amaro, e a artista plástica Helena Gastal.

- O protótipo seria baseado na árvore baobá, símbolo de unidade, força e resistência. É a representação da ancestralidade e da Afrodenscendência. As redes de pesca e de repouso. Sinal do sagrado, no trabalho e no descanso – explica Antônio Amaro.

 

Tainá Rios

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