Segunda, 24 de SETEMBRO de 2018

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opinião

Agentes em ação no Rio | Foto THOMAZ SILVA | Fotos Públicas

As tropas no Rio vão prender os bandidos de sempre e deixar intactas as raízes do crime

por Carlos Wagner | Histórias Mal Contadas | Publicada em 23/02/2018 às 10h24| Atualizada em 27/02/2018 às 13h43

O crime organizado vai enfrentar as tropas do Exército nas ruas, nas vielas e nas avenidas da Cidade Maravilhosa? As duas maiores organizações criminosas do Brasil, o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, vão para o enfrentamento com as tropas do general Walter Souza Braga Netto? Não precisa ser especialista para responder a essas duas perguntas. As grandes organizações criminosas não têm poder suficiente para enfrentar o Exército.

Mesmo que o PCC ou o CV adotassem táticas de guerrilha urbana, uma das lutas mais cruéis que existem por envolver civis inocentes, para lutar contras as tropas não teriam fôlego para sustentar um enfrentamento por muito tempo.

Mais ainda: as cúpulas dessas organizações criminosas são experientes e, sempre que as autoridades endurecem, ficam quietas no seu canto e deixam o vendaval passar. Até onde se sabe, o PCC e o CV não lutam para tomar o poder do Estado. Lutam para manter os seus negócios ilícitos em atividade. Então, quem as tropas irão enfrentar? Os criminosos de sempre. Aqueles que assaltam velhinhas com fuzil AR 15. Fecham avenidas e túneis para roubar telefones celulares de motoristas e passageiros dos veículos. Eles são conhecidos no linguajar dos repórteres que fazem cobertura policial como “chinelos”, jovens drogados e violentos.

O bandido chinelo também tem o costume de se encolher quando a cidade é ocupada ostensivamente pelas tropas. Existe uma possibilidade real de um bandido drogado disparar contra as tropas e iniciar um grande tiroteio, com consequências sérias. Aqui gostaria de refletir com os meus colegas repórteres calejados e com os novatos. A intervenção militar no Rio de Janeiro não vai tocar nas raízes da violência. Não tem como.

Uma dessas raízes é o sistema carcerário carioca. Existem 13 penitenciárias no Rio de Janeiro, onde a população carcerária está 85% (24 mil) acima da sua capacidade. A maioria desses presos são “chinelos” que são recrutados pelas organizações criminosas no presídio e saem de lá profissionais. Não tem como o Exército resolver esse problema. A exemplo do resto do Brasil, o sistema carcerário carioca é uma bomba relógio.

Outra raiz da violência no Rio: as fronteiras abertas com os países vizinhos, especialmente com o Paraguai. Das terras paraguaias, vêm drogas (maconha, cocaína e anfetaminas), armas, munições e cigarros falsificados. A Polícia Federal (PF) é a responsável pelas fronteiras. Mas não dá conta do serviço porque, na prática, tem duas PFs: a da Operação Lava Jato, com todos os recursos econômicos, técnicos e gente especializada ao seu dispor e a da fronteira, que vive em um ambiente hostil, com dinheiro curto e efetivos reduzidos. O Exército não tem como resolver esse problema.

A corrupção policial é a mais importante raiz da violência no Rio. Foi ela que criou as milícias, que são formadas por ex-policiais que tomaram conta dos negócios ilícitos das quadrilhas nas favelas. As milícias cariocas rivalizam em poder com o PCC e o CV. As tropas não têm como resolver o problema das milícias. Vão ter que conviver com ele, correndo o grave risco de serem contaminadas pela corrupção.

O grupo político do presidente da República, Michel Temer (MDB – SP), está usando as tropas do Exército para vender à população a “sensação de segurança”, que não tem nada a ver com a solução dos problemas da área. É como baixar a febre de um doente com toalha molhada sem resolver o problema da infecção. Assim que a toalha secar, a febre volta e pode matar o paciente.

Temer esta brincando com um fósforo acesso dentro de um paiol de pólvora.

Histórias Mal Contadas é o blog do repórter Carlos Wagner, que você acompanha clicando aqui.

 

 

 

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