Quinta-feira, 18 de ABRIL de 2019

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Prefeito André Pacheco deixa PSDB

por Vinicius Ferrari | Publicada em 08/02/2019 às 11h01| Atualizada em 14/02/2019 às 10h44

Sabe aquele capítulo que termina uma temporada de série? Parece que a política viamonense vive exatamente isso com o anúncio, no início da noite desta quinta-feira, de que o prefeito André Pacheco está oficialmente deixando o partido que o elegeu e também o abandonou, o PSDB.  Você vive em Viamão mas não está entendendo absolutamente nada do que estou falando? Não tem problema, a gente contextualiza exatamente como se você estivesse assistindo House Of Cards no sofá da sua sala. Pega a pipoca e vamos juntos.

O ano é 2012 e Valdir Bonatto, ex-vereador e empresário conhecido na cidade, é escolhido por um "frentão" de partidos para ser o candidato a prefeito da então oposição aos governos petistas, que governaram Viamão por 16 anos, oito com Ridi e mais oito com Alex Boscaini. O escolhido do PT, Robinson Duarte, não conseguiu levar o legado petista a frente e perdeu para o professor Bonatto que trazia como vice André Pacheco, então no PMDB.

Em 2016, depois de governar por quatro anos Bonatto decide que não vai tentar a reeleição e anuncia André Pacheco, já no PSDB, como o candidato da Mudança de Verdade (aquele frentão, lembra?) para concorrer em seu lugar. E fez-se a luz. Depois de eleito, André Pacheco governou por dois anos com apoio esmagador na Câmara de Vereadores e tudo parecia uma propaganda de margarina do intervalo da Ana Maria Braga. Em qualquer democracia, a governabilidade junto ao parlamento é essencial para que as coisas andem bem. Ou melhor, andem (ponto). 

Aí veio a eleição da mesa na Câmara de Vereadores e o que tudo um dia foi calmo como água de poço (pelo menos para o grande público) ficou tão estremecido quanto terremoto no Japão. André Pacheco não apoiou a eleição do outro André, o Gutierres, do Progressistas que virou as costas para seu governo primeiro com Nadim Harfouche (ex-homem forte de Bonatto e de Pacheco) e depois com o próprio Gutierres. Acontece que os Progressistas seriam o terceiro partido a governar a Câmara, num rodízio estabelecido pelos vereadores governistas antes mesmo da legislatura começar. A pergunta que este jornalista fez, muito antes de se falar isso foi: A base continuaria votando em Gutierres mesmo o partido não fazendo mais parte dela? André Pacheco achava que não. Valdir Bonatto achava que sim. E no sexto dia, veio a escuridão (foi neste dia?).  

A segunda temporada veio muito mais movimentada que a primeira, André Gutierres vencendo a disputa pela presidência da Câmara e as coisas começaram a ficar estranhas. No ínicio do ano, a bomba que deixou muita gente de boca aberta: todos os secretários do PSDB pediram para deixar governo. Um festival de nota oficial no Facebook de um, nota oficial no Facebook do outro. Acusação de cá, reposta de lá. 

Ontem, quarta-feira, o professor Valdir Bonatto, que ainda não havia se pronunciado sobre o tema, lançou uma nota no seu Facebook, que entre outras coisas disse que:

- Recebi com preocupação a notícia de que seis secretários municipais saíram do governo ao mesmo tempo. Assim como me causa extrema preocupação o fato de a Prefeitura estar no Cadin novamente.

Parece pouco, mas parece que a alegação do ex-prefeito colocou um caminhão do Posto da Figueira de gasolina na discussão. O Cadin (não o Nadim, hehe, sempre quis fazer essa piada) é como se fosse um SPC das prefeituras e órgãos públicos, e Viamão tinha conseguido sair dessa lista de municípios non gratos, que não podem comprar nem papel higiênico e pendurar no caderninho na venda da esquina. Este inclusive foi um dos argumentos usados na campanha de André Pacheco em 2016. 

Na longa nota de hoje, além de avisar que está deixando oficialmente o partido dos tucanos, André Pacheco se exime da responsabilidade pela volta de Viamão ao Cadin, que segundo documento postado pelo prefeito, já foi resolvido. Pacheco apresentou uma certidão que diz que Viamão não está no cadastro.

- A entrada do município no CADIN-RS se deu, justamente, por irregularidades nas contas das secretarias ocupadas pelos membros do PSDB que deixaram a nossa administração, sobretudo, nas secretarias da Agricultura, Governo e Saúde - disse.  

André Pacheco diz na nota que seguirá um caminho livre e sem amarras. Ou seja, não pretende, por enquanto se filiar a outro partido político. Finaliza a nota dizendo que seu partido é Viamão. 

É claro que por mais bonita que essa frase seja, na prática o prefeito vai precisar encontrar outro partido para se filiar, se quiser disputar as eleições no ano que vem (JÁ É ANO QUE VEM). E é claro que saindo oficialmente do PSDB, o prefeito deixa o caminho livre para os vereadores de seu ex-partido migrarem para a oposição de vez. 

E assim o plenário Tapir Rocha que até dezembro via PSOL e PSDB brigarem tipo cão e gato, agora pode ver os dois juntos na oposição. Menos o vereador Evandro Rodrigues, que era oposição quando seu partido PSDB era situação e agora faz parte da base do governo. Ô trem mais complexo essa tal de política hein? Acho que é por isso que todo mundo gosta de opinar. Quando o ano legislativo voltar do recesso, vamos entender na prática como vai ser essa nova temporada de House Of Cards - Ibiamon.

 

AS NOTAS

O QUE DISSE VALDIR BONATTO 

Viamão, 06 de fevereiro de 2019

Fazer gestão de uma cidade como Viamão é um desafio constante e diário na busca da superação das dificuldades, nos enfrentamentos com interesses pessoais e requer firmeza, liderança e muito trabalho. Durante os quatro anos do meu mandato pude vivenciar isso e contribuir para a população de Viamão, que aprovou nosso projeto, elegendo o prefeito André Pacheco em 2016. Porém, o momento pelo qual passa a gestão do prefeito André Pacheco é grave e merece uma reflexão.

Sempre defendi o conceito de que não são as diferenças ideológicas que unem os partidos em torno de um projeto, mas sim os pontos em comum, as esperanças e sonhos. Durante quatro anos mantivemos acesa essa chama, aparando arestas, ouvindo a todos, porém sem deixar de tomar as decisões necessárias, e às vezes dolorosas, para a concretização dos objetivos. Foi assim que tiramos a cidade do CADIN, que pagamos as dívidas, que construímos a UPA, que fornecemos uniformes para nossos alunos, que entregamos muitas ruas pavimentadas. A população entendeu, apoiou e nos deu mais quatro anos de crédito.

Hoje, vivemos tempos difíceis. Parece que perdemos a sintonia entre a equipe, que há um ruído ensurdecedor afastando e isolando os protagonistas dessa gestão. Quem sai perdendo com isso é a população de Viamão. Este clima de animosidade não faz bem a ninguém, mas não podemos nos omitir diante de uma crise.

Recebi com preocupação a notícia de que seis secretários municipais saíram do governo ao mesmo tempo. Assim como me causa extrema preocupação o fato de a Prefeitura estar no Cadin novamente. É inquietante também tomar conhecimento de que ao final de 2018, a gestão municipal deixou R$ 43 milhões de contas a pagar, com insuficiência de recursos. Precisamos todos entender o que está acontecendo.

Neste momento, não cabe nenhum tipo de análise pessoal, mas sim colocar o interesse coletivo acima de tudo. Deixo o apelo para que todas as lideranças do PSDB de Viamão venham a fazer o debate interno, analisar, dialogar e apontar um caminho para a superação deste quadro. Não medirei esforços para colaborar com aqueles que desejam ter uma cidade melhor, que verdadeiramente estejam dispostos a rever conceitos e que, acima de tudo, trabalhem pelo coletivo, pois não tenho dúvida do que somos capazes quando estamos unidos em torno do mesmo desenvolvimento da cidade.

Valdir Bonatto

 

O QUE DISSE ANDRÉ PACHECO 

 

Ao estimado povo viamonense, anuncio de forma oficial a desfiliação do Partido da Social-Democracia Brasileira, o PSDB, no dia 6 de fevereiro de 2019, após quase três anos de casa. Aproveito, em tal feito, para agradecer a acolhida do partido durante esse período, aos amigos que por lá fiz, porém os últimos acontecimentos envolvendo alguns membros da sigla não me deixaram alternativa deixar o partido. Entretanto, esse destino será definido com muita serenidade e reflexão, sem abrir mão daquilo que mais prezo: o diálogo.

Porém, nesse exato momento, defini que seguirei um caminho livre, distante de toda e qualquer amarra política ou ideológica, a favor, justamente, dessa capacidade de conversar e pactuar as melhorias tão necessárias para a nossa cidade com todos aqueles que estão dispostos a dar a sua contribuição para isso acontecer. A minha total atenção está em seguir os avanços em curso na gestão municipal, atender com a maior velocidade possível os anseios da população e não ter empecilhos para ouvir todo e qualquer bom projeto que ao meu gabinete chegar.

É preciso ressaltar que, mesmo diante da maior crise econômica de nossa história, que assolou o Brasil nos últimos seis anos, fazendo com que chegássemos a marca de 14 milhões de desempregados e obrigando os entes federativos a parcelar vencimentos, como foi feito nos últimos quatro anos aqui no Rio Grande do Sul, nossa gestão pagou os salários dos municipários rigorosamente em dia. Por meio de um rigoroso controle dos gastos públicos, uma vez que assumimos a prefeitura, em 2017, com uma dívida previdenciária de, aproximadamente, R$ 20 milhões, estamos avançando no desenvolvimento do nosso município, investindo em pavimentação de ruas, melhorias em educação e saúde pública, em videomonitoramento, dentre outras tantas ações de governo, dando seguimento ao trabalho realizado desde 2013, como então vice-prefeito de Viamão e que não será ofuscado.

Ademais, fui surpreendido com uma nota publicada nas redes sociais imputando a mim, André Pacheco, a responsabilidade por uma suposta inserção da Prefeitura Municipal de Viamão no CADIN-RS, algo que não se confirma, vide a foto da certidão que atesta a inexistência de débitos do nosso município na data de hoje, 07 de fevereiro de 2019. Propagar informações incertas, sem checagem, e que não correspondem com os fatos não contribui, em nada, para a união de Viamão, muito menos para o desenvolvimento da cidade. A entrada do município no CADIN-RS se deu, justamente, por irregularidades nas contas das secretarias ocupadas pelos membros do PSDB que deixaram a nossa administração, sobretudo, nas secretarias da Agricultura, Governo e Saúde. 

Além disso, após a saída dos então secretários, que tinham a minha confiança e, talvez por isso, o rigor no controle tenha sido menor, o que reconheço, encaminhamos todas as documentações das pastas para que o Ministério Público, órgão competente para analisar possíveis irregularidades, bem como estamos abrindo as devidas sindicâncias, a partir de relatórios que apontaram erros gravíssimos, ou seja, prontamente agimos para corrigir. Aliás, com muita rapidez, diga-se de passagem, informo que a cidade de Viamão NÃO FAZ MAIS PARTE DO CADIN-RS, conforme a imagem, tranquilizando todos que demonstraram interesse na questão. Quando as correções são imediatas e pontuais, onde está o problema, o resultado positivo é instantâneo, mais rápido que uma postagem sem qualquer conferência em rede social, inclusive.

Por fim, registro que não alimento mágoas, nem rancores, sentimentos negativos que nos paralisam e nada produzem, a não ser, o envenenamento da própria alma. Sou um defensor da liberdade de expressão e do agir e penso que cada pessoa é responsável por aquilo que cativa e isso é cobrado mais cedo ou mais tarde, cabendo a cada indivíduo pesar as consequências das suas escolhas. E, assim, eu faço as minhas, de maneira muito ponderada e convicta, todos os dias.

A minha escolha é governar para cem por cento de nosso povo, sem distinção e com extrema transparência. Nossa cidade não é – e nunca será – terra sem lei como a internet, onde a propagação de leviandades, as chamadas fake news, parece ter virado regra.

Minha prestação de contas, agora regularizada junto às autoridades competentes após identificarmos os verdadeiros responsáveis, é para a população.

O meu partido é Viamão.

Abraço,
André Pacheco.

 

 

Tainá Rios

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