Sexta-feira, 23 de AGOSTO de 2019

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OPINIÃO | Pegou mal a nomeação de ex-secretário pela Câmara

por Vinicius Ferrari | Publicada em 19/02/2019 às 16h09| Atualizada em 01/03/2019 às 15h59

Lembra quando a ex-presidente Dilma quis indicar Lula para ministro chefe da Casa Civil com a intenção de livrá-lo do julgamento em primeira instância? Poucas foram as pessoas que não caracterizaram o episódio de imoral, talvez só os petistas mais ferrenhos, além da ilegalidade apresentada pelo STF ao barrar a nomeação: naquele longínquo 2016 Lula era acusado de corrupção no caso do Triplex e do Sítio de Atibaia. Em ambos os casos o ex-presidente foi condenado e cumpre pena em Curitiba.

O amigo leitor pode se perguntar: o que este episódio tem a ver com a política viamonense? Bem, vivemos a cerca de 30 dias uma verdadeira reviravolta política na cidade, coisa que não se via há muito tempo. Sem julgar méritos, se é verdade ou não, o prefeito demitiu um de seus secretários acusando-o de corrupção. Rafael Bortoletti que mandava na secretaria geral de governo, já se defendeu das acusações, inclusive na RBSTV, e agora é a justiça quem julgará se ele é inocente ou culpado.  O curioso é que Rafael  Bortoletti ganhou um CC, de Diretor da Divisão Administrativa da Câmara, cerca de 20 dias depois da crise estourar na prefeitura.

Diferente do caso de Lula e Dilma, lotar Rafael em um cargo de alto escalão no legislativo é totalmente legal: ele ainda não foi julgado.  Um cargo em comissão não traz foro privilegiado como no caso de Lula. Mas não deixa de pegar super mal para a Câmara, principalmente para quem assinou o documento, o presidente André Gutierres.  

O ex-secretário da Secretaria Geral de Governo de André Pacheco e pivô do pedido de demissão de outros seis membros do alto escalão do governo havia sido nomeado pela portaria 048/2019, de 8 de fevereiro. A nomeação de Bortoletti para um cargo comissionado na Câmara de Vereadores foi bastante criticada nas redes sociais na última semana.

As análises dos especialistas em política de Facebook, que queimaram o dedo no Grr e no compartilhar, davam conta de que Bortoletti havia sido “abrigado” na Câmara para ajudar na abertura das CPI’s que estão tramitando na Casa. Nesta briga toda, o lado do presidente André Gutierres sempre ficou muito claro: team Bonatto. Basta lembrar que o vereador sentou na cadeira de mandatário do legislativo graças a benção do ex-prefeito e seus afilhados políticos. Entretanto, mesmo que se tenha afeição por um ou outro lado, lotar na CMV, como Diretor da divisão Legislativa, um dos maiores cargos comissionados da Casa, a pessoa que saiu da prefeitura acusada de corrupção, é uma decisão polêmica, para dizer o mínimo.

E não pense que é só o repórter que pensa assim: pegou tão mal que o próprio Bortoletti pediu exoneração no último dia 15. Uma semana depois de ser nomeado e três dias depois de assumir o cargo. Política é assim: é preciso saber a hora de tirar o time de campo.  Não restam dúvidas que a experiência de Rafael Bortoletti como chefe de gabinete e secretário municipal de Bonatto e André lhe dão um capital político que o habilita para ocupar qualquer cargo público e talvez a câmara ganhasse muito com sua experiência.

Mas agora, com todas as acusações feitas pelo prefeito contra ele, e ele contra o prefeito, não há clima para que ocupe um cargo na CMV. Ainda mais com duas CPI rondando a Casa e um pedido de impeachment sendo cogitado pelos vereadores. Rafael está muito envolvido com o caso para trabalhar lá neste momento.

Se a decisão de lotá-lo na Casa foi um gol contra, a exoneração deixou o jogo empatado. E é exatamente assim que se espera que o Poder Legislativo aja neste momento: com imparcialidade, calma e justiça. Até que este mandato acabe em 31 de dezembro de 2020, ou que os 21 juízes da Câmara decidam recolher a bola antes do tempo. O que não dá é para o juiz chutar a bola pra grande área.

Não pode isso, né Arnaldo?

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