Segunda, 15 de OUTUBRO de 2018

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setembro amarelo

Setembro amarelo: precisamos falar sobre suicídio

por Vinicius Ferrari | Publicada em 17/09/2018 às 17h51| Atualizada em 21/09/2018 às 12h03

O ano era 2012, ou 2013, não lembro bem ao certo. Voltando do horário do almoço, caminhando pelo centro de Porto Alegre, me deparo com um grande grupo de pessoas se aglomerando para ver alguma coisa na faixa da Salgado Filho, uma das ruas mais movimentadas do centro histórico.

- Uma mulher acabou de se matar! Se jogou de um prédio aqui no centro – dizia uma senhora  no telefone a algum curioso do outro lado da linha.

Cheguei no trabalho e liguei o rádio para ouvir o que estava acontecendo. Um silêncio absurdo em todas as estações jornalísticas. Em uma delas o assunto foi abordado bem superficialmente, e um boletim de transito, repórter não disse o que aconteceu, apenas relatou a lentidão que os motoristas estavam enfrentando nas redondezas.

Mais tarde, em algumas cadeiras da faculdade, aprendi que para o jornalismo o suicídio não é uma notícia. A não ser que seja uma personalidade ou que a pessoa morta seja relevante para a sociedade, assim como quando a gente não põe no jornal que uma vizinha faleceu de velhice, por exemplo. Talvez essa morte em especial, que trancou o centro de uma das maiores capitais do país merecesse algo a mais que apenas uma notinha de trânsito, mas o fato é que temos medo de falar sobre suicídio. Durante muitos anos houve, no próprio jornalismo, um enorme tabu sobre isso. Acreditava-se que quando falava-se sobre suicídio, mais pessoas se encorajariam a praticá-lo. O que nunca foi comprovado, afinal embora não se toque no assunto, ano após ano, o número de pessoas que tiram a própria vida só aumenta.

Os dados do Ministério da Saúde são alarmantes.  No Brasil a média é de 5,6 suicídios por 100 mil habitantes, onde cerca de 23% dos casos acontecem na região sul do país. Segundo especialistas, os dados ainda podem ser maiores, já que existe uma mistificação muito grande sobre o assunto, principalmente entre as classes mais altas. No Rio Grande do Sul, a taxa é ainda maior: 11 casos para cada 100 mil habitantes por ano. É como se de quatro em quatro anos uma Viamão de pessoas se suicidasse no estado.

É para falar sobre o tema, tão pulsante quanto negligenciado, que o Centro de Valorização da Vida, o CVV, divulga todos os anos a campanha Setembro Amarelo, um mês inteiro dedicado a falar tanto sobre suicídio quanto sobre as doenças desencadeadoras, como a depressão. Diversas empresas de tecnologia aderiram a campanha, principalmente pelo suicídio ser o quarto maior causador de mortes entre jovens no país. Facebook, Twitter e Spotify lançaram ferramentas de  apoio a pessoas que pensam em se matar. No serviço de streaming, por exemplo, existe uma playlist (clique aqui para acessar) que sob o nome de “188” traz canções para aumentar a auto-estima e valorizar a vida. O número não foi escolhido por acaso: 188 é o telefone do CVV, que recebe, gratuitamente, ligações de pessoas que estejam pensando em tirar a própria vida. No outro lado da linha, profissionais voluntários estão prontos para atender quem quiser conversar.

Pessoas podem buscar ajuda em Viamão

Durante o mês, diversas atividades foram realizadas pela secretaria de saúde de Viamão para   tratar sobre o tema.  Roda de conversa sobre a prevenção do suicídio, apresentação do grupo de música, atividade de expressão corporal, uma oficina de prevenção do suicídio (onde usuários criaram propaganda sobre o tema), e sessão de cinema foram algumas atividades já realizadas nos CAPS do município. Na terça, 18 uma caminhada de conscientização e sensibilização sobre o fenômeno do suicídio sairá as 9:30 do Caps Renascer rumo a praça da matriz, no centro e dia 26 um sarau está sendo preparado. 

Segundo a coordenadora de saúde mental da prefeitura de Viamão, Vanessa Betiol, qualquer pessoa que precisar de ajuda pode procurar os serviços dos Caps.

- O acolhimento funciona na modalidade portas abertas, ou seja, acolhemos durante todo o horário de funcionamento dos centros, exceto quinta à tarde que é apenas para urgência e emergência – diz Vanessa.

Viamão tem 4 dos 2.465 centros de atenção psicossocial (caps) do Brasil.  

CAPS II Renascer: 3492-8913

Rua Açores, 762 | Tarumã

Horário de funcionamento: de segunda à sexta das 08:00 às 18:00

 

CAPS II Casa Azul: 3492-3086

Rua Leopoldo Migues, 55 | São Lucas

Horário de funcionamento: de segunda à sexta das 08:00 às 18:00

 

CAPSi Aquarela: 3446-6928

Rua Bento Gonçalves, 434 | Centro

Horário de funcionamento: de segunda à sexta das 08:00 às 18:00

 

CAPS AD Nova Vida: 3485-8762

Rua Cabral de Menezes, 194 | Centro

Horário de funcionamento: de segunda à sexta das 08:00 às 21:00

 

Tainá Rios

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