Sexta-feira, 05 de MARÇO de 2021

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Opinião

O cavalo de Tróia que atravanca o gabinete do Russinho na pior crise da saúde da história de Viamão

Publicada em 20/03/2020 às 00h| Atualizada em 13/04/2020 às 23h30

Nesta sexta-feira (20), ao menos seis Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Viamão deveriam retomar a normalidade de seus atendimentos. Deveriam…

Essa foi a “promessa” dada à população pela comunicação social do município em nota curtíssima – e incompleta – à equipe de reportagem da Capital.

Mas isso não aconteceu.

 

Quem relata são usuários e moradores, preocupados com o avanço da pandemia do corona. Tanto pior são os depoimentos de que, além das unidades em que já não havia atendimento há uma semana, a UBS Esmeralda também fechou nesta sexta-feira por falta de condições mínimas de higiene.

Sete dos 17 postos em uma cidade de dimensões geográficas desafiadoras estão inviabilizados porque faltam medicamentos, porque equipamentos e materiais são escassos, porque sequer uma vassoura é passada; E a soma de tudo isso obriga os profissionais da Saúde a uma parada indesejada.

A origem deste caos é investigada. Enquanto aguardamos o desfecho judicial da Operação Capital, o mínimo que se pode dizer é que o povo sofre pela inabilidade administrativa dos gestores do município.

Senão, vejamos:

 

Antes mesmo da pandemia do coronavírus que virou o Brasil de cabeça para baixo, seria impensável que uma cidade do porte de Viamão tenha ignorado preceitos éticos – e eu nem estou citando os legais –, ou não tenha identificado a situação delicada de ter um representante do Legislativo como beneficiário de um contrato vultuoso de prestação de serviços.

Deu no que deu.

 

Um dos mais importantes escândalos políticos da história da cidade coincidiu com uma crise mundial sem precedente para, pelo menos, as duas últimas gerações. Logo quando o Ministério Público – na legítima defesa do interesse coletivo – deixou, acidentalmente, um “Cavalo de Tróia” na porta da prefeitura.

O problema é que o Russinho herdou o bicho, que segue lá, bem no meio do seu gabinete interino. E, em que pese a isenção que cabe a ele, já não é possível aboná-lo do que acontece na saúde após a chegada do covid-19.

Nesse “AC/DC” (antes e depois do corona), a crise da Saúde de Viamão cobra um preço alto – do povo e de seus gestores. Falta consciência da dimensão do problema. A comunicação social da prefeitura demonstra desconhecer os protocolos ao ignorar pedidos de entrevista, e a administração municipal não alcança que, ao deixar jornalistas no vazio, perde a chance de dar a sua versão dos fatos.

Ficar só na hashtag e no Facebook não dá.

 

Só depois de a mídia local começar a cobrar respostas, só depois de uma reportagem do Diário de Viamão ganhar repercussão estadual e atrair a atenção do mais importante telejornal do RS, a prefeitura ensaiou alguma solução para a higienização das unidades – mas nada aconteceu, por enquanto.

 

Não há uma informação sequer vinda dos órgãos de saúde sobre qual será o fluxo de atendimento dos pacientes suspeitos de infecção pelo vírus. O telefone disponibilizado à população para dúvidas toca até cair na caixa de mensagens. Nos postos de saúde, servidores informam que não receberam capacitação e que não possuem equipamentos para coleta de material biológico dos pacientes. UPA e o hospital da cidade remetem a responsabilidade para o Estado.

Diante do o silêncio dos agentes competentes, impera a lei do boato. Áudio atribuído a um motorista de aplicativo causou pânico nesta sexta-feira ao assegurar que havia mortes pela doença – ocorridas no domingo (15) – que estavam sendo “escondidas” – fakenews que poderia ter sido evitada. De oficial, são quatro casos suspeitos em investigação, segundo a secretaria de Saúde do Estado (até 20 de março).

O resto é especulação – e maldade.

 

É hora de enfrentamento, não apenas no que se refere à rede de saúde. Mas a prefeitura demorou uma semana para tomar medidas efetivas que contribuam para retardar o avanço do corona. Basta olhar para a Capital, Cachoeirinha ou Gravataí… até mesmo Alvorada mantém, ainda que minimamente, um canal de comunicação direto e transparente com seus moradores.

Enquanto a vizinhança publicava decreto atrás de decreto, antecipava vacinação contra a gripe, Viamão presenciou aglomerações para lançamento de pré-candidatura e diferentes inaugurações – até de semáforo…

Acreditem.

 

Só agora chegam as recomendações para que a crise seja levada a sério. Depois de um caso confirmado em Alvorada, quando Porto Alegre declarou que não consegue mais rastrear a origem das infecções e já soma 25 casos comprovados (boletim de 20 de março).

É a pior crise da história da Saúde de Viamão, repito. Mas, ao menos, os administradores da cidade deveriam dar o exemplo.

Demoraram.

 

Entre o rato na recepção da UBS São Tomé (nesta terça-feira, 17) e o cavalo de Tróia que ornamenta o gabinete do Russinho está a falta de um secretário de Saúde. Já são, segundo fontes, seis tentativas de preencher a pasta, mas o cargo foi recusado. Nada a ponderar sobre a figura do interino, Marcos Dantas, mas não é técnico, ou tem o traquejo político necessário para este momento.

A prefeitura demorou, mas começa a agir. Antes tarde do que nunca.

Pobre povo.

 

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