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Crise da Saúde

Durante a Operação Capital, Ministério Público fez apreensão de documento no gabinete do prefeito e em secretarias

A cadeira de prefeito de Viamão se transformou em buraco negro; Russinho na mira da Justiça e ameaçado de impeachment

Publicada em 23/04/2020 às 00h| Atualizada em 04/05/2020 às 19h57

Viamão está implodindo. E os escombros vão ferir quem estiver na órbita do prefeito interino. A crise da saúde, que pulverizou André Pacheco, se prepara para engolir Russinho. As sirenes ecoam, a detonação está próxima, mas a letargia, já moradora cativa do gabinete, fez a chave da porta desaparecer. Não há tempo para sequer tentar correr.

Contra Russinho, até esta quarta-feira (22), pesavam duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) já instaladas na Câmara e um inquérito civil iniciado pelo Ministério Público. O motivo é o mesmo: a gestão da saúde pública do município.

Há quem diga que as CPIs atuais são resultado direto de administrações anteriores. Querem juntar Alex Boscaini e Valdir Bonatto no tiro que mira o André, mas digo que o interino não sairá ileso.

Russo até pode ter saído da mesa que ficava "embaixo da escada", como gostam de dizer. E se ele "não sabia de nada" envolvendo os contratos de seu colega de chapa ou dos antecessores, tem responsabilidade diretamente ativa nas ações - ou na falta delas - a partir da troca de sala no gabinete.

Quem diz isso é o Ministério Público, e a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RS decidirá se há crime de responsabilidade na conduta do chefe interino do Executivo na gestão da Saúde e sobre a ausência de ações para o combate ao coronavírus.

Enquanto isso, os erros na gestão local da Saúde vão se sucedendo. Muitos deles causados pela lentidão ou ausência de conduta. De fevereiro para cá, quando Russinho herdou espaço e a caneta, não conseguiu resolver a questão da higienização das unidades de Saúde – se até ontem elas abriam, sabe-se agora, era porque a empresa que administrava as unidades contratou os novos serviços de limpeza - meses após a empresa terceirizada contratada por André Pacheco ser varrida dos postos com a Operação Capital.

Ações simples, como exonerar um secretário e nomear outro é um desafio administrativo hercúleo. Depois de seis tentativas, conseguiram o sim do José Ricardo Agliardi. Isso ocorreu em 28 de março, e quase um mês depois, em 20 de abril, o secretário interino, Marcos Dantas, segundo fonte da Prefeitura, ainda estava nomeado e ocupando o cargo.

Diz a lenda viamonense que Agliardi foi nomeado nesta semana – segunda ou ontem, talvez. Mas o próprio Agliardi jamais viu a tal portaria com seu nome. Se assumiu de fato, a Prefeitura pode confirmar, mas o que eu afirmo que não terão competência para mantê-lo. O prazo que José Ricardo deu a Russinho está chegando ao fim. O perfil técnico não foi compreendido no Gabinete do Prefeito.

Aproxima-se a hora da saída de Agliardi. É questão de detalhes.


Essa lentidão da coisa pública viamonense fará mais estragos. Os esforços para a reposição de profissionais da Saúde Mental e da Atenção Básica buscam resolver parte da questão, a longo prazo, mas deixam um buraco imediato e grave. Nesta quinta, as portas das unidades básicas não devem abrir por falta de gente para atender. Seres humanos, feito nós, que não recebem pelo trabalho que prestaram. E mesmo sem contrato, permaneciam em seus postos de trabalho até agora.

Vão repor o pessoal nas unidades, só não está claro quando, nem como. A julgar pela velocidade – intencional ou não – como conduziram a nomeação do secretrário Agliardi, vai demorar.

E quem ficou para trás não sabe se vai receber. Já vi essa história, é tal qual a das merendeiras, serventes de escola e auxiliares de limpeza dos postos - só mudam os salários. A situação administrativa é tão grave que se fala nos bastidores em intervenção da Justiça na Saúde ou até mesmo em toda a gestão.

A soma das mãos nesse carteado de possibilidades ganhará mais um coringa nesta tarde (23): a mesa diretora da Câmara fará a leitura de recomendação do Ministério Público para abertura de investigação parlamentar sobre a gestão de Russinho na Saúde. Em outras palavras, corre risco de ser destituído – impeachment, na etimologia da palavra - seja junto ou sem Andre Pachego. 

Há questões menores, como o esforço do prefeito interino em reabrir o comércio local antes mesmo da curva de contágio da covid-19 decolar em Viamão (para quem não leu aqui no Diário de Viamão, o número de casos cresceu 450% em 15 dias). Jantares fora da agenda, desleixo com o distanciamento social, alinhamento de candidaturas a vereador em troca de apoio em uma futura campanha, reuniões com empresários enquanto as merendeiras bebiam água da torneira em garrafa pet cercadas por policiais e guardas municipais, inauguração de semáforo… tudo isso no mesmo tempo em que as cidades vizinhas se fechavam para tentar fugir do vírus.

Mas em Viamão o sol brilha diferente, e a banda toca em tons mais altos. É a velha política regendo o jeito único de fazer as coisas na Antiga Capital.

Sinto em dizer, mas arrisco minhas fichas na queda de Russinho. Ele será tragado pelo buraco negro que se transformou a cadeira de prefeito de Viamão.

Ou será que já foi?

 

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