Quinta-feira, 01 de OUTUBRO de 2020

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Profissionais de saúde estão na linha de frente da guerra contra o novo coronavírus | Foto MARCELLO CASAL | Agência Brasil

Sem equipamentos de proteção e sem salários: profissionais da Saúde de Viamão estão pelados em plena guerra

por Cristiano Abreu | Publicada em 13/04/2020 às 00h| Atualizada em 20/04/2020 às 12h41

Sair de casa pela manhã preocupada é rotina na vida da técnica de enfermagem Valentina*, mas a carga emocional está redobrada neste início de 2020. A quarentena imposta pelo novo coronavírus faz com que ela tenha que deixar os dois filhos, de 2 e 7 anos, na casa de amigos para poder trabalhar. Funcionária de uma das 16 Unidades Básicas de Saúde (UBS), ela arrisca a segurança dela e da própria família para atender a população de Viamão e, se não bastasse a pandemia, está com o salário atrasado.

Valentina é uma dos 300 técnicos de enfermagem, enfermeiros, agentes de saúde e médicos afetados pela crise na gestão da Saúde de Viamão. Os servidores são contratados pela Associação Mahatma Gandhi, terceirizada que presta serviços ao município nas unidades básicas. O pagamento é previsto para ser realizado até o quinto dia útil de cada mês, porém isso não aconteceu em abril, até a publicação desta reportagem.

- Não chega o medo do vírus, a luta para deixar minhas crianças seguras, aí a gente presta serviço e não recebe. Como vou trabalhar tranquila assim? - questiona a profissional.

Conforme o Diário de Viamão apurou, a Prefeitura não tem realizado os repasses devidos à Associação, que, sem recursos, não consegue pagar os profissionais. O contrato é de R$ 1,8 milhão por mês, porém, conforme o Portal Transparência, o município depositou apenas R$ 700 mil no mês passado e, até a publicação desta matéria, não fez nenhum repasse em abril.

Além da Atenção Básica, a Mahatma Gandhi também presta serviços na área da Saúde Mental.

 

 

Ameaça de paralisação

 

Funcionários das UBS já ameaçam paralisar atividades caso os salários não sejam colocados em dia nas próximas horas. Nesta segunda-feira (13), profissionais conversaram com o secretário da Saúde, José Ricardo Agliardi Silveira.O grupo também procurou o prefeito Russinho, que não abriu espaço na agenda.

A equipe da UBS Vila Elza já definiu por suspender atividades, caso a Prefeitura não se posicione.

 

 

O que dizem Prefeitura e empresa sobre os atrasos

 

A Associação não retornou os pedidos de entrevista do Diário. A reportagem também procurou a Comunicação Social da Prefeitura sobre o descumprimento do contrato, mas não obteve retorno até a publicação.

 

 

“São guerreiros que estão lutando desarmados”, diz médico

 

As dificuldades se multiplicam nos postos de saúde, conta Valentina. Além dos salários, faltam equipamentos de proteção, como aventais, luvas e máscaras.

- Querem que a gente faça a triagem de cados suspeitos do coronavírus, mas não temos nem álcool gel para o pessoal da recepção. Estamos à própria sorte, nos sentimos pelados, desamparados – desabafa a profissional.

O médico de uma UBS do município, que pede para não ser identificado, acompanha de perto a situação das equipes. E exalta o empenho dos técnicos e enfermeiros.

- São pessoas extremamente importantes, estão na linha de frente do atendimento e tratadas com descaso pelo município, que não está empenhado em buscar uma solução. Guerreiros sem EPI nenhum, sem receber pelo trabalho, sozinhos, lutando desarmados em uma guerra – compara.

 

O Diário procurou a Prefeitura e a Associação para buscar informações sobre a falta de EPIs, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

*O nome fictício, a pedido da servidora, que teme represálias da Administração do município por ter dado entrevista.

 

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Cristiano Abreu

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