Quinta-feira, 01 de OUTUBRO de 2020

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Crise do coronavírus

Evolução do número de casos em abril | Fonte: Prefeitura de Viamão

Quem são os infectados com a covid-19 em Viamão: o perfil dos casos e o alerta das autoridades em Saúde

por Cristiano Abreu | Publicada em 21/04/2020 às 00h| Atualizada em 07/05/2020 às 20h18

Entre 21 de março e 4 de abril, Viamão registrou quatro casos de coronavírus. Do dia 5 até esta segunda-feira (20), 14 novas infecções foram confirmadas no município, conforme o departamento de Vigilância em Saúde. O crescimento de 450% em apenas 15 dias indica uma elevação importante da curva de contágio, e as autoridades em Saúde do município demonstram preocupação.

– Até o dia 12 de abril, os casos estavam estáveis. Nos últimos sete dias, temos média de quase um novo confirmado por dia, o que nos deixa em alerta – explica a médica Maria Letícia Rodrigues Ikeda, coordenadora do Comitê de Operações de Emergência em Saúde (COE).

Ao analisar os dados, a médica, que coordena as ações de enfrentamento ao vírus em Viamão, lembra que as estatísticas locais estão dentro do padrão verificado no Rio Grande do Sul, mas reforça que o momento é de atenção redobrada.

– Nossa curva se mostra em ascensão nos últimos dias. Se é uma tendência real (permanente) ou não, se continuará subindo, precisamos esperar um pouco mais para termos a certeza.

A especialista cogita duas possibilidades: mais casos por conta da realização de um número maior de exames – e a liberação mais rápida dos resultados – ou reflexo do relaxamento do isolamento social nas últimas semanas, como visto nas ruas durante a Páscoa e a partir da liberação de mais setores do comércio.

– Logo teremos condições de saber se é alta, ou se tivemos um pico porque faltava liberar exames. Pode ser, ainda, reflexo do relaxamento da população, pois da última semana para cá aumentou a circulação da população nas ruas – completa Letícia.


 

Perfil dos casos

 

Do início da crise até ontem, foram realizados exames em 101 moradores do município. Desse total, 79 suspeitas foram descartadas e quatro pessoas ainda aguardam resultado das análises clínicas. São 18 pacientes confirmados para a covid-19 (17,7% dos casos testados) com idades entre 20 e 72 anos – 10 mulheres e 8 homens.

O caso mais recente é de uma senhora de 72 anos, que precisou ser internada no domingo. É, no momento, a única internação. Além dela, tivemos outro caso, que já teve alta – detalha a coordenadora do COE.

Apenas um paciente – o primeiro caso confirmado – é considerado curado. Os outros 16 cumprem diferentes etapas da recuperação em casa.


 

Maioria dos casos está entre os profissionais da Saúde

 

As estatísticas do município indicam que os profissionais da saúde são os mais atingidos até o momento: 11, sendo nove da área da enfermagem e dois de áreas administrativas e de manutenção. Todos trabalham em hospitais da Capital (Clínicas, Moinhos, Santa Casa, Conceição e Divina Providência).

O fato não altera a estratégia de prevenção do COE, que reforça a importância do isolamento social e do uso de máscara pela população quando for indispensável sair de casa, medidas que devem ser adotadas para que a transmissão não aumente.

– Temos sete pessoas que não têm relação com a Saúde, não trabalham na área e não têm parentes em ambiente hospitalar. Desses, apenas um viajou para fora, então há comprovadamente a circulação do vírus na cidade – diz Letícia, que pede precaução aos moradores de Viamão.


 

Cuidado com a rede de atendimento

 

Felizmente nenhum caso até aqui é considerado grave, e nenhum óbito foi registrado em Viamão. 16 pacientes apresentaram falta de ar moderada, realizaram a coleta de material para exames e foram colocados em isolamento domiciliar. Diante da capacidade atual de atendimento da UTI do Hospital Viamão, com 15 leitos, se o crescimento da curva de contágio se manter como nos últimos dias, o sistema local pode entrar em colapso.

– Nosso hospital ainda dá conta porque o número de casos é baixo. Se a velocidade atual se manter, conseguiremos responder bem, mas a expectativa é de que tenhamos aumento expressivo das infecções. Então, sem ampliar a rede, teremos muita dificuldade de resposta – finalizou Letícia Ikeda.

 

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Cristiano Abreu

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